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13/08/2010

Pobre ave

 

Agosto. Era Agosto, 13 quarta feira do ano de 2003. O dia tinha acordado lindo e quente. Na falta de ar condicionado, o trabalho decorria numa rotina dolente, acordado pelo telefone que tocava na secretária da colega, de momento, ausente. Levantou-se, e a caminho de o atender, olha a janela aberta de par em par, uma nuvem cinzenta, vinda não sabia de onde, escondia, agora, o sol que filtrado feria o olhar. E ali, no gradeado do muro, parecendo olhá-la, aquele pássaro negro de presença imponente. Na rua, a voz de uma senhora idosa informava os miúdos em alvoroço, um corvo, é um corvo, e como se rezasse, benzeu-se, enquanto dizia: sinal de mau agouro, para o combater não chega todo o dinheiro todo o ouro. Um arrepio, a mistura das vozes da senhora e de quem lhe falava do outro lado da linha, em tom aflitivo.

Tremeram-lhe as pernas

Rasaram-se-lhe os olhos

No peito uma dor de morte

 

O corvo piou

Levantou voo

E ela pensou

Ditou-lhe-me a sorte

 

 

***

2010-08-13

nn(in)metamorphosis

 

09/08/2010

O Silêncio

O silêncio



Aprende com o silêncio
a ouvir os sons interiores da sua alma,
a calar-se nas discussões
e assim evitar tragédias e desafetos.

Aprende com o silêncio
a respeitar a opinião dos outros,
por mais contrária que seja da sua.

Aprende com o silêncio
que a solidão não é o pior castigo,
existem companhias bem piores...

Aprende com o silêncio
que a vida é boa,
que nós só precisamos olhar para o lado certo,
ouvir a música certa, ler o livro certo,
que pode ser qualquer livro,
desde que você o leia até o fim.

Aprende com o silêncio
que tudo tem um ciclo,
como as marés que insistem em ir e voltar,
os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar,
como a Terra que faz a volta completa
sobre o seu próprio eixo...

Aprende com o silêncio
a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia,
enxergar em você as qualidades que possui,
equilibrar os defeitos que você tem
e sabe que precisa corrigir
e enxergar aqueles
que você ainda não descobriu.

Aprende com o silêncio a relaxar,
mesmo no pior trânsito,
na maior das cobranças,
na briga mais acalorada,
na discussão entre familiares.

Aprende com o silêncio a respeitar o seu "eu",
a valorizar o ser humano que você é,
a respeitar o Templo que é o seu corpo
e o santuário que é a sua vida.

Aprende hoje com o silêncio,
que gritar não traz respeito,
que ouvir ainda é melhor que muito falar.
E em respeito a você, eu me calo, me silencio,

para que você possa ouvir
o seu interior que quer lhe falar,
desejar-lhe um dia vitorioso
e confirmar que VOCÊ É ESPECIAL.




(Autoria: Paulo Roberto Gaefke)

Enviado por: DamadasRosas


07/08/2010

Peço paz...


Se a esperança periclita
Se o riso me sai triste
Eu peço Paz
Se o olhar da criançada
É obscuro e ausente
Eu peço paz
Se já na rua se mata e morre
Se alguém chama
E o acaso socorre
Eu peço paz

Se os sonhos se vão
E sonhar novo é ilusão
Eu peço paz

Se nos tiram o sono
Se se vive no abandono
Se não se vê o porvir
Eu peço…

Eu só quero paz…


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nn(in)metamorphosis
2010.08.07


Quando for tempo de chegares...


Quando for tempo de chegares, vem
Lento, ternurento e sem tempo de alcançar

E traz contigo

O beijo que me queres dar
As palavras ditas ao ouvido a sussurrar
As mãos atrevidas, vividas, sabidas no meu corpo a passear
Os dedos conhecedores do caminho a desvendar
A língua sedenta de sabores e odores que ao céu me vai levar

E traz também
O calor do desejo ardente,
Que se desfaz
No fazer d’um amor urgente
De força e suavidade
De esforço e de vontade
De suor e humidade
E faz comigo acontecer
O meu e o teu querer
Do momento
No momento
Em que nos queremos ter


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nn(in)metamorphosis
2010.08.07



06/08/2010

Gosta-me...

Gosta-me…



Não sou melhor nem pior, sou apenas eu, com um jeito agridoce, meio filho mãe.
Com altos e baixos; algumas certezas, num sem fim de (des)conhecimento; interrogativa, com urgência nas respostas; contraditória, enquanto na procura de algo sólido em letras, palavras ou acções que me permitam o conhecimento; inseguranças? muitas! mas, apenas porque as minhas decisões podem magoar terceiros; segura, do que quero e principalmente do que não quero; avessa a situações dúbias; militante do preto no branco, embora conheça o cinzento; respeitadora de todos em geral; se amiga? amiga a tempo inteiro, ou nem aí, não cultivo ódios nem rancores, gosto de gostar e de quem me gosta, tiro a camisa mas, não me usem, não me abusem, não menosprezem a minha aparência ingénua, posso demorar mas… acordo; confio e sou confiável; sorriso e coração aberto, muitas vezes e erroneamente entendido como sendo tola, ou presa fácil;  sou teimosa; combativa; frontal; explosiva; e se magoada fico sem chão, durante um tempinho.
Sou isto, ou muito mais… para alguns, ou muito menos… para outros, ou nada… para muitos.
Mas no fim... não podendo viver sozinha, viverei com certeza, muito feliz, sem muita gente…
Gosta-me... como sou, cheia de certezas e duvidas, conhecimentos e ignorâncias, avanços e recuos, medos e ousadias,
gosta-me... ensinando-me, criticando-me, mas principalmente,
gosta-me... levando-me ao teu lado, nem um passo à frente nem um atrás.
Só assim (re)conheço e entendo a amizade.


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2010.08.06
nn-(in)-metamorphosis


01/08/2010

A Morte



Lido mal com a morte… lido? No final até acho que nem lido… pois não a interiorizo, fico numa espécie de entorpecimento (não é verdade, aquilo não aconteceu) e vou vivendo sentimentos profundos e emoções intensas de irritabilidade, tristeza, raiva, medo, desesperança por um longo tempo. Depois fica uma saudade, o sentir de uma ausência mas que não realizo como morte, mas como perda do convívio.


Se falo do assunto, eu assumo que morreu, mas não sinto que tenha morrido. Nunca soube que nome dar a este meu sentir a morte, até que ontem uma amiga me disse


“Vejo a morte como uma viagem que alguém fez antes de mim” 


Considerando que uma coisa da qual temos plena certeza é que um dia morreremos e bastando para isso nascermos, então a minha amiga deu-me a chave que nunca tinha encontrado. Os que já perdi por morte, não morreram, apenas viajaram antes de mim… 


Morreu António Feio? Não! Apenas viajou antes de nós





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 2010.07.29
nn(in)metamorphosis

11/07/2010

Quero mais...



Quero mais!!!
Quero ... mais que sonho, que imaginação
Quero… sentir o teu cheiro doce, incandescente
Quero… o teu cheiro de homem, amante, desejado e quente
Quero… a tua boca, a tua língua indecente
Quero… o meu corpo no teu, minha língua na tua
Quero… ir mais fundo, mais profundo, esquecer o mundo na rua

Quero… eu quero mais… ser tua

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nn(in)metamorphosis
2010.07.10