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07/08/2010

Peço paz...


Se a esperança periclita
Se o riso me sai triste
Eu peço Paz
Se o olhar da criançada
É obscuro e ausente
Eu peço paz
Se já na rua se mata e morre
Se alguém chama
E o acaso socorre
Eu peço paz

Se os sonhos se vão
E sonhar novo é ilusão
Eu peço paz

Se nos tiram o sono
Se se vive no abandono
Se não se vê o porvir
Eu peço…

Eu só quero paz…


*******
nn(in)metamorphosis
2010.08.07


Quando for tempo de chegares...


Quando for tempo de chegares, vem
Lento, ternurento e sem tempo de alcançar

E traz contigo

O beijo que me queres dar
As palavras ditas ao ouvido a sussurrar
As mãos atrevidas, vividas, sabidas no meu corpo a passear
Os dedos conhecedores do caminho a desvendar
A língua sedenta de sabores e odores que ao céu me vai levar

E traz também
O calor do desejo ardente,
Que se desfaz
No fazer d’um amor urgente
De força e suavidade
De esforço e de vontade
De suor e humidade
E faz comigo acontecer
O meu e o teu querer
Do momento
No momento
Em que nos queremos ter


******
nn(in)metamorphosis
2010.08.07



06/08/2010

Gosta-me...


Não sou melhor nem pior, sou apenas eu, com um jeito agridoce, meio filha da mãe.

 Com altos e baixos; algumas certezas num sem-fim de (des)conhecimento; interrogativa, com urgência nas respostas; contraditória, na procura de algo sólido em letras, palavras ou ações que me permitam conhecer mais.

 Inseguranças? Muitas! Mas apenas porque as minhas decisões podem magoar terceiros; segura do que quero e, principalmente, do que não quero; avessa a situações dúbias; defensora do preto no branco, embora conheça o cinzento.

 Respeitadora de todos em geral; se amiga? amiga a tempo inteiro, ou nem por perto. Não cultivo ódios nem rancores; gosto de gostar e de quem gosta de mim; tiro a camisa, mas não me usem, não me abusem, não menosprezem a minha aparência ingénua; posso demorar, mas acordo.

 Confio e sou confiável; sorriso e coração abertos, muitas vezes erroneamente entendidos como sendo tola ou presa fácil; sou teimosa; combativa; frontal; explosiva; e, se magoada, fico sem chão durante um tempinho, mas curo-me.

 Sou isto, ou muito mais para alguns; muito menos para outros; ou nada para muitos.

 Mas, no fim, não podendo viver sozinha, viverei, com certeza, muito feliz, sem muita gente.

 Gosta de mim como sou, cheia de certezas e dúvidas, conhecimentos e ignorâncias, avanços e recuos, medos e ousadias.

 Gosta de mim ensinando-me, criticando-me de forma construtiva, mas, principalmente, gosta de mim levando-me ao teu lado, nem um passo à frente, nem um atrás.

 Só assim reconheço e entendo a amizade.



***
2010-08-06 - Gosta-me
nn(in)metamorphosis


01/08/2010

A Morte


Lido mal com a morte… lido? No final, até acho que nem lido… porque não a interiorizo. Fico numa espécie de entorpecimento (“não é verdade, aquilo não aconteceu”) e vou vivendo sentimentos profundos e emoções intensas de irritabilidade, tristeza, raiva, medo e desesperança durante muito tempo. Depois fica a saudade, o sentir de uma ausência que não realizo como morte, mas como perda do convívio.

Se falo do assunto, assumo que morreu, mas não sinto que tenha morrido. Nunca soube que nome dar a esta minha forma de sentir a morte, até que ontem uma amiga me disse:

“Vejo a morte como uma viagem que alguém fez antes de mim.”

Considerando que uma coisa da qual temos plena certeza é que um dia morreremos -  bastando, para isso, nascermos - então a minha amiga deu-me a chave que nunca tinha encontrado. Os que já perdi para a morte não morreram; apenas viajaram antes de mim…

Morreu António Feio? Não. Apenas viajou antes de nós.






***
2010-08-01 - Morte
nn(in)metamorphosis

11/07/2010

Quero mais



Quero mais…
mais do que sonho ou imaginação

 Quero o teu cheiro, doce e quente
o teu corpo perto do meu
a tua boca na minha
o desejo sem pressa 

Quero perder-me em ti
ir mais fundo
deixar o mundo lá fora
e ficar apenas no instante

 Quero mais…
ficar perdida em ti
 

 ***

2010-07-11 - Quero mais
nn(in)metamorphosis


27/06/2010

Este vazio



Sinto a lágrima a cair.

Tenho uma angústia no peito e uma tristeza no corpo.

Já nem sei há quanto tempo isto está aqui. Nem sei o que é. Só sei que não passa. Às vezes parece que vai embora, mas volta sempre mais forte.

 Não queria sentir isto.

 Guardo isto para mim. Não conto a ninguém. Nem a mim mesma. E mesmo que contasse, acho que não mudava nada.

 De há algum tempo para cá, há dias em que preferia não acordar.

 Não é que a vida seja só má. Mas há um vazio dentro de mim que não sei explicar. E não sei como preencher.

 Não sei quando começou. Um dia estava bem. Depois comecei a sentir falta de coisas que nem sei dizer o que são.

 Os meus sonhos, os meus planos… parecem ter desaparecido.

 Ficou um vazio.

 Amo o que tenho. Consigo continuar os dias. Mas sinto que eu própria me perdi algures.

 Só queria paz.

 A minha vida foi vivida em função de uma luta longa. Dei-lhe tudo. Agora essa fase terminou e fiquei sem direção.

 E continuo assim.

 Um dia talvez conte isto. Talvez não.

 

***

2010-06-10 - Este vazio 
nn-(in)-metamorphosis



Tu no virtual



Tu!
Chegas-me de mansinho na conversa
Num momento de alegria ou de tristeza
E envolves-me na tua presença
Feita de palavras
 
E em ti encontro
O carinho
do amigo ou da amiga
Que nunca vi nem encontrei...
 
Tu!
Chegas tão mais presente
No sorriso do momento
 
Em palavras, conversas, gestos escritos
De dois seres que se unem distantes
Na eterna e sincera amizade
Do virtual, perdido no espaço...
 
Tu!
Talvez ainda mais real
Que tantos outros encontros
 
Acompanhas-me
Em noites de escrita e leitura
No silêncio de tantas horas
E cada um é um de nós...
Eu, tu e o virtual

 Abraço-te


***
2010-06-27  Tu no virtual  
nn(in)metamorphosis


21/06/2010

Retrato ardente



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

Eugênio de Andrade 

 
Enviada por:  Blog - Sem Ti


16/06/2010

Amanhã é outro dia

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Não te ausentes
Não te defendas
Não te feches
Não te recuses a viver
(mesmo a viver devagar)
 
Fala comigo!!!
Numa conversa sem razão
Vamos só falar à toa
Do tempo, da vida
De quem já partiu
 
Vem!!!
Conta-me uma anedota
Joguemos um jogo, faz batota
Faz-me rir e ri comigo
 
Amanhã é outro dia, amigo


***
2010-06-16 - Amanhã é outro dia
nn(in)metamorphosis


06/06/2010

Hoje estou triste


Hoje estou particularmente triste.

Não que tenha mais razões do que ontem, mas porque, às vezes, basta um pequeno nada para transformar um dia de sol num dia de nuvens negras. Então, a tristeza invade e toma conta do tempo.

 Nesses momentos, as palavras tornam-se mais melancólicas, longe da alegria que normalmente me acompanha.

 Mas hoje… hoje sinto-me triste, desmotivada, desapontada... enfim... sinto um misto de sensações que me tira a vontade de fazer, de desejar, de ambicionar algo... simplesmente não tenho vontade de NADA.

 Sinto-me cansada: de rir quando a vontade é chorar, de parecer forte quando necessito de colo, de baixar a cabeça engolindo a raiva perante o infortúnio, de me agarrar a uma fé sem nome e, ainda assim, sentir-me desamparada.

 Mas tudo é efémero… até mesmo esta tristeza.

Porque a vida não quer saber se aguentas ou não, apenas segue o seu curso. E ou aprendemos a acompanhá-la, ou ela acaba por nos arrastar.



***
2010-06-06 - Hoje estou triste
nn(in)metamorphosis


13/05/2010

Manta de Retalhos


Nasci …retalhinho de fino linho, num lar de amor criada
Com sedas, rendas e arminhos, minha vida foi ornada
Entre a cidade e o vale, a adolescência foi tecida
Cruzei o mar e vi… uma terra prometida
De terras vermelhas,  palmeiras  e mulembas
corpos morenos, noites quentes e muito, muito semba
Voltei cruzando os céus… de modo triste, perdida
Hoje sou uma manta, de retalhos, colorida
E, em cada um, sou EU, de várias cores e  tamanhos 
Há os de sonhos… perdidos, esquecidos, sonhados
Mas há tambem os reais… vividos, realizados
Lanço o olhar e descubro … naquele junto ao soalho
Nele, sou raio de sol, no outro, gota de orvalho
Naquele, jovem menina, lá além , sou sonhadora
Ali mesmo, despedida , mas aqui, sou trovadora
Olho outro, sou saudade, no seguinte, cor de papaia
Neste, sou oceano, naquele , areia da praia
Aqui, eu sou tristeza, mas ali, sou alegria
 Lá ao centro, eu sou música, e nas beiras, poesia
Tanto retalho… uma vida… do resto que há p’ra viver
Há aqueles, que não quis, e os que não quero esquecer
Mas em todos  sou amor!
E em alguns… suspiros de prazer



***
2010-05-12 - Manta de Retalhos
nn-(in)-metamorphosis


10/05/2010

Inventada Lua


Toca-me o corpo
como quem descobre um segredo
e acende-me o olhar
sem precisar de palavras
 
Sussurra-me aquilo
que já sabemos em silêncio
e conduz-me…
sou terra à espera de mar
 
Mesmo que seja dia
e o céu não peça lua
deixa que ela venha
- inventada entre nós-
e se demore
 
Beija-me devagar
como quem reconhece o tempo
e respira em mim
até o mundo ficar longe
 
Entrelaça-te em mim
como se o instante fosse eterno
e nada mais tivesse lugar
 
E fica



*****
2010-05-10 - Inventada Lua
(in)metamorphosis


22/04/2010

Serena de novo



Enfim… serena.
Enfim…ciente de tudo estar feito.
Enfim… posso seguir, iniciando novo capítulo.
Pragmática sim, com uma enorme necessidade de clareza.
Lido mal com assuntos mal resolvidos, tudo o que se torna dúbio, me deixa insegura, pouco à vontade, e este facto torna-se muitas vezes, arma usada contra mim.
Não sou isenta de defeitos mas, existem alguns que não tenho mesmo, e se postos em dúvida, criam-me instabilidade, um quase estado doentio, e faço o que preciso for, para aclarar as aguas. Os “nins” deixam-me inquieta e torna-se urgente, arrumar o desarrumado, o corrigir o engano, o desfazer de dúvidas.
A oportunidade surgiu, quando já não a esperava, e agarrei-a com as duas mãos, a chance que tanto tinha pedido, que tanto tinha esperado estava aí… Olhando de frente, agora, olhos nos olhos, eu repeti, o já dito outras vezes, NÃO FUI EU!!!
Feito isso, fechei o capítulo, independente do resultado. Deixou de ter importância, se acreditam ou não. Em consciência eu estou em paz, aliás, eu sempre estive em paz, todavia, agora sigo... serena de novo.


***
2010-04-21 - Serena de novo
nn(in)metamorphosis



Quando nestas coisas do virtual, alguém faz algo condenável, e a pessoa atingida, pensa e afirma ter sido quem não foi.


16/02/2010

Meu doce pecado

Na vida todos temos 
Um segredo inconfessável 
Um arrependimento irreversível 
Um sonho inalcançável 
Um amor inesquecível



Perco-me em sonhos
quando me lembro de ti
do teu corpo
do teu beijo leve
 
E penso… e sinto…
 
E és como luz nas minhas veias
uma presença doce, tranquila
que me acompanha
ontem, hoje e amanhã


***
2010-02-16 - Meu doce pecado
nn(in)metamorphosis


17/01/2010

Evasão




E enquanto o leve vento passa
a evasão acontece
 
Na ausência de pensamento
torna-se etérea
e, por escassos segundos
deixa de ser matéria
 
para fazer parte do universo
em pleno silêncio


***
2010-01-17 - Evasão
nn(in)metamorphosis


11/01/2010

Na corda bamba


Na corda bamba da vida mais um ano passou como nuvem que se esfuma. É o inicio de outro que se constrói sobre sonhos e promessas. Neste palco onde nos articulamos, desfilamos sentimentos, repetimos gestos, trocamos frases, vimos rostos e... o que fica? Quem fica?...


Quem ficou, mesmo não estando presente, caminha a meu lado... será um sorriso, uma palavra, um gesto, será para sempre em mim a memória do que foi!
Aos que passaram, aos que ficaram, obrigado por serem como são.
Alguem que ficou diz:
Como é triste quando só se permanece memória!...
Onde a afeição que resiste, borboleta?!...
Tu voas... eu choro.
A esse alguém eu respondo:
No coração, mas só fica quem quer ficar
Muitas pessoas passam, apenas passam... mas nem por isso deixou de ter importância a sua passagem, as suas palavras, gestos e atitudes, de algum modo elas terão contribuído para o meu crescimento.
Deixo livres, todos os que gosto e amo
se se vão, voltam ou ficam, talvez seja porque eu tenha merecido.
Eu voo, eu sorrio, mesmo que por vezes chorando
O Criador saberá o que faz
eu apenas agradeço, por cada dia vivido
por cada luta vencida
e até por cada vez que sou vencida, se com isso cresço.


***
2010-01-11 - Na corda bamba
nn(in)metamorphosis


10/01/2010

A vida por nós pintada...



Mais um ano que termina e outro que começa.
Passei a noite em claro, em mais uma das minhas conversas comigo mesma. Daquelas em que não há mentiras nem ilusões.
 
Fui pensando no ano que passou e em como o pintei.
 
Não sou pintora, mas todos acabamos por ser. Pintamos a vida todos os dias. Eu, apesar de tudo, continuo a pintá-la com tons de rosa… mesmo que a vida me tenha tornado mais pragmática do que gostaria de admitir.
 
Pintei o que sou e o que sinto: castelos, afetos, momentos de ternura, paixão, sonhos, música ao fundo, lareiras, vinho, palavras.
 
Pintei também o que ainda há em mim de romântico — essa parte que vive por trás do pragmatismo que a vida me ensinou.
 
Deixei a minha tela ao tempo.
 
E veio a chuva.
 
Mudou as cores. O rosa ficou menos rosa.
Levou um pouco da leveza que gosto de sentir, mas que nem sempre consigo manter.
 
Depois veio a razão.
 
Entrou com segurança, como sempre entra, e pegou no pincel. Tentou organizar tudo. Mas as cores não obedeciam. Não havia harmonia.
 
Tirei-lhe o pincel das mãos por um momento e deixei entrar outra coisa: sensibilidade, emoção, o que ainda resta de sonho.
 
E as coisas começaram a fazer mais sentido.
 
A razão e a emoção acabaram por aprender a coexistir.
 
Hoje vejo isso como uma parceria.
Não é perfeito. Não é simples. Mas é o que é.
 
Não se perde nem se ganha. Aprende-se.
 
A viver com emoção sem perder o chão.
 
Venha o 2010.
 
Tenho o cavalete junto à janela.
As cores estão comigo.
 
Estou pronta.



***
2010-01-10 - A vida por nós pintada
nn-(in)-metamorphosis



31/12/2009

Tenho dias...


Tenho dias coloridos e dias sem cor
 
Dias cinzentos, de chuva, de tristeza
e outros de sol, de música, de muita alegria
Em alguns, sou voo livre
Noutros, perco as asas do sonho
 
Dias em que me sinto bonita
e outros um quase nada
Em alguns, sou poema, inteira, apaixonada, plena
Noutros, apenas uma estrofe fora do lugar
 
Dias que parecem não ter fim
e outros que passam sem que eu dê por eles
Uns de altos e baixos, excessos e falhas
Noutros, de calma, silêncio e esperança
 
Dias em que sinto muito
e outros, que nem sei bem o que sinto

De todos
guardo ensinamentos
que gostaria de eternizar


***
 2009-12-31 - Tenho dias...
nn(in)metamorphosis


02/12/2009

Teimosamente





A vida teimosa
mantém-me viva
mesmo quando morro
aos poucos
 
apática, sinto-me
a ficar e a partir
ao mesmo tempo
 
a mente sabe
mas o corpo demora
a lembrar-se
que é preciso continuar

Ficar de pé
seguir o horizonte
 
E quando um primeiro passo surgir
sem alarde
e a jornada começar
sob o sol que nasce e se põe

 que nem os mosquitos
me roubem o silêncio
nem o tempo apague
os motivos que me feriram

 
***
2009-12-02 – Teimosamente 
nn(in)metamorphosis


18/11/2009

Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA



A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos: olhares, vivências, recordações, saudade.
 
Momentos que registo em papelinhos escritos e aos quais, a cada dia que passa, dou mais valor.
 
Para os guardar, tenho duas caixas: uma grande e, por vezes, curta, a que chamo “memória”, e outra, mais pequena mas não menos importante, a que chamo “coração”.
 
Na maior, eu guardo as decepções, as quedas que fui dando pela vida fora, os olhares e as palavras vãs… sui generis esta caixa: por mais maus momentos que lá guarde, nunca os encontro todos quando seria preciso. Tem compartimentos vários e diversos modos de arquivo. Há papelinhos quase imperceptíveis, outros onde palavras e até frases inteiras estão apagadas, levadas pelo tempo, a que vou chamar “esquecimento”…

 Mas, 
porque se desvanecem?

Mesmo sendo maus, e talvez por o serem, esses momentos deviam manter-se vivos e legíveis, para nos deixar em alerta. Mas não, uma e outra vez, o “esquecimento” permite que venha mais um desses momentos que ninguém pede, deixando no início muita amargura, muita revolta, e, ao fim de algum tempo, uma melancolia, ou mesmo uma aceitação apaziguada que, quando lembrada, faz reviver o momento, faz cair uma lágrima.

Outros papelinhos ficam, com escrita indelével, e perduram no meu coração, fazendo de mim o que sou…
E juntos, fazem o que eu chamo de momentos de felicidade, porque felicidade, em si e num todo, não acredito que haja.
 
Olhares, palavras, vivências, recordações e saudade.
 Guardo-os na pequena caixa, que abro, olho, mexo e remexo sempre que preciso encontrar o meu sorriso, para continuar o meu caminho, a minha vida…

Tenho-a neste momento aberta
qual escancarada janela
Preciso levantar-me, erguer a cabeça e andar
Preciso do meu sorriso, nela encontrar


***
 2009-11-05- Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA
nn(in)metamorphosis


17/11/2009

O resto? o resto o tempo fará...






Tenho andado um bocadinho, tristonha, apática, quase letárgica, fico assim, sempre que a vida me maltrata… vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas, nada de preocupante, é temporário, tem sido sempre assim e desta vez não será diferente, eu volto a levantar-me.

Para que consigamos, ser timoneiros de nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo pequenas paragens, para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que nos é nefasto, depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem seja agradável, arrumar no lugar certo, o que mesmo não sendo preciso, a toda a hora, sabemos estar lá (é de importância vital sabermos isso) e por fim, dar lugar de destaque, ao que nos é absolutamente imprescindível, para continuarmos a ser viajantes, neste barquinho, que somos cada um de nós, neste mar imenso que são as relações humanas no seu todo.

Está a chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos, e já consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa grande.

O resto? o resto o tempo fará...

Tempo… o tempo tem culpa de muita coisa, e aqui, também é culpado, está cinzento, e acinzenta-me… preciso de algum tempinho, para ir buscar a fatiota amarela de sol e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro, nesta minha viagem.


***
2009-11-03 - O resto? o resto o tempo fará...
nn(in)metamorphosis