Mais um ano que termina e outro que começa.
Passei a noite em claro, em mais uma das minhas
conversas comigo mesma. Daquelas em que não há mentiras nem ilusões.
Fui pensando no ano que passou e em como o pintei.
Não sou pintora, mas todos acabamos por ser. Pintamos
a vida todos os dias. Eu, apesar de tudo, continuo a pintá-la com tons de rosa…
mesmo que a vida me tenha tornado mais pragmática do que gostaria de admitir.
Pintei o que sou e o que sinto: castelos, afetos,
momentos de ternura, paixão, sonhos, música ao fundo, lareiras, vinho,
palavras.
Pintei também o que ainda há em mim de romântico —
essa parte que vive por trás do pragmatismo que a vida me ensinou.
Deixei a minha tela ao tempo.
E veio a chuva.
Mudou as cores. O rosa ficou menos rosa.
Levou um pouco da leveza que gosto de sentir, mas que
nem sempre consigo manter.
Depois veio a razão.
Entrou com segurança, como sempre entra, e pegou no
pincel. Tentou organizar tudo. Mas as cores não obedeciam. Não havia harmonia.
Tirei-lhe o pincel das mãos por um momento e deixei
entrar outra coisa: sensibilidade, emoção, o que ainda resta de sonho.
E as coisas começaram a fazer mais sentido.
A razão e a emoção acabaram por aprender a coexistir.
Hoje vejo isso como uma parceria.
Não é perfeito. Não é simples. Mas é o que é.
Não se perde nem se ganha. Aprende-se.
A viver com emoção sem perder o chão.
Venha o 2010.
Tenho o cavalete junto à janela.
As cores estão comigo.
Estou pronta.
***
2010-01-10 - A vida por nós pintada
nn-(in)-metamorphosis
nn-(in)-metamorphosis
Sem comentários:
Enviar um comentário
NOTA: Os comentários são moderados
1 - Os usados para publicitar o próprio blog serão eliminados.
2 - Os outros, tão breve quanto possível, serão publicados.
Grata pela compreensão.