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10/01/2010

A vida por nós pintada...



Mais um ano que termina e outro que começa.
Passei a noite em claro, em mais uma das minhas conversas comigo mesma. Daquelas em que não há mentiras nem ilusões.
 
Fui pensando no ano que passou e em como o pintei.
 
Não sou pintora, mas todos acabamos por ser. Pintamos a vida todos os dias. Eu, apesar de tudo, continuo a pintá-la com tons de rosa… mesmo que a vida me tenha tornado mais pragmática do que gostaria de admitir.
 
Pintei o que sou e o que sinto: castelos, afetos, momentos de ternura, paixão, sonhos, música ao fundo, lareiras, vinho, palavras.
 
Pintei também o que ainda há em mim de romântico — essa parte que vive por trás do pragmatismo que a vida me ensinou.
 
Deixei a minha tela ao tempo.
 
E veio a chuva.
 
Mudou as cores. O rosa ficou menos rosa.
Levou um pouco da leveza que gosto de sentir, mas que nem sempre consigo manter.
 
Depois veio a razão.
 
Entrou com segurança, como sempre entra, e pegou no pincel. Tentou organizar tudo. Mas as cores não obedeciam. Não havia harmonia.
 
Tirei-lhe o pincel das mãos por um momento e deixei entrar outra coisa: sensibilidade, emoção, o que ainda resta de sonho.
 
E as coisas começaram a fazer mais sentido.
 
A razão e a emoção acabaram por aprender a coexistir.
 
Hoje vejo isso como uma parceria.
Não é perfeito. Não é simples. Mas é o que é.
 
Não se perde nem se ganha. Aprende-se.
 
A viver com emoção sem perder o chão.
 
Venha o 2010.
 
Tenho o cavalete junto à janela.
As cores estão comigo.
 
Estou pronta.



***
2010-01-10 - A vida por nós pintada
nn-(in)-metamorphosis



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