Quando for tempo de chegares, vem
E traz contigo
O beijo que me queres dar
E traz também
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nn(in)metamorphosis
Não
sou melhor nem pior, sou apenas eu, com um jeito agridoce, meio filha da mãe.
Com altos e baixos; algumas certezas num sem-fim de (des)conhecimento; interrogativa, com urgência nas respostas; contraditória, na procura de algo sólido em letras, palavras ou ações que me permitam conhecer mais.
Inseguranças? Muitas! Mas apenas porque as minhas decisões podem magoar terceiros; segura do que quero e, principalmente, do que não quero; avessa a situações dúbias; defensora do preto no branco, embora conheça o cinzento.
Respeitadora de todos em geral; se amiga? amiga a tempo inteiro, ou nem por perto. Não cultivo ódios nem rancores; gosto de gostar e de quem gosta de mim; tiro a camisa, mas não me usem, não me abusem, não menosprezem a minha aparência ingénua; posso demorar, mas acordo.
Confio e sou confiável; sorriso e coração abertos, muitas vezes erroneamente entendidos como sendo tola ou presa fácil; sou teimosa; combativa; frontal; explosiva; e, se magoada, fico sem chão durante um tempinho, mas curo-me.
Sou isto, ou muito mais para alguns; muito menos para outros; ou nada para muitos.
Mas, no fim, não podendo viver sozinha, viverei, com certeza, muito feliz, sem muita gente.
Gosta de mim como sou, cheia de certezas e dúvidas, conhecimentos e ignorâncias, avanços e recuos, medos e ousadias.
Gosta de mim ensinando-me, criticando-me de forma construtiva, mas, principalmente, gosta de mim levando-me ao teu lado, nem um passo à frente, nem um atrás.
Só assim reconheço e entendo a amizade.
Lido mal com a morte… lido? No final, até
acho que nem lido… porque não a interiorizo. Fico numa espécie de
entorpecimento (“não é verdade, aquilo não aconteceu”) e vou vivendo
sentimentos profundos e emoções intensas de irritabilidade, tristeza, raiva, medo
e desesperança durante muito tempo. Depois fica a saudade, o sentir de uma
ausência que não realizo como morte, mas como perda do convívio.
Se falo do assunto, assumo que morreu, mas
não sinto que tenha morrido. Nunca soube que nome dar a esta minha forma de
sentir a morte, até que ontem uma amiga me disse:
“Vejo a morte como uma viagem que alguém
fez antes de mim.”
Considerando que uma coisa da qual temos
plena certeza é que um dia morreremos - bastando, para isso, nascermos - então a minha
amiga deu-me a chave que nunca tinha encontrado. Os que já perdi para a morte
não morreram; apenas viajaram antes de mim…
Morreu António
Feio? Não. Apenas viajou antes de nós.
Sinto a lágrima a cair.
Tenho uma angústia no peito e uma tristeza no corpo.
Já nem sei há quanto tempo isto está aqui. Nem sei o
que é. Só sei que não passa. Às vezes parece que vai embora, mas volta sempre
mais forte.
***
Hoje estou particularmente triste.
Não que tenha mais razões do que ontem, mas porque,
às vezes, basta um pequeno nada para transformar um dia de sol num dia de
nuvens negras. Então, a tristeza invade e toma conta do tempo.
Porque a vida não quer saber se aguentas ou não, apenas segue o seu curso. E ou aprendemos a acompanhá-la, ou ela acaba por nos arrastar.