fio de prumo: Mulher:
Quase todas as chamadas discriminações positivas têm em mim efeito
contrário ao pretendido. No dia de hoje é comum celebra-lo como sendo
dedicado às Mulheres. A todas, sejam trabalhadoras ou ociosas, bonitas
ou feias, inteligentes ou burras. Isto é, entende-se que o género
feminino carece de atenção especial um dia no ano, algo que se assemelha
ao grito de vida de quem possa sentir-se ostracizado nos restantes 364
dias.
Não esqueço, claro, o simbolismo do dia e o que ele representa, como não
esqueço o que o sistema de quotas pretende atingir. Porém, o papel do
género feminino sofreu transformações profundas e são estas que, a meu
ver, alteram o significado do dia.
A "luta" das mulheres tem, agora, contornos bem diferentes e são esses
que, do meu ponto de vista, convinha destacar e tentar resolver. Tempo
houve, em que a sua "masculinização" foi uma etapa considerada
necessária, frente a um mundo laboral dominado pelos homens. Essa fase
está ultrapassada e aquilo de que nós hoje carecemos é, sobretudo, que
nos não seja vedado o acesso aos postos de decisão, em completa
igualdade de circunstâncias. Para isso, mais do que dar benefícios ao
género feminino, importa repartir de forma paritária, aqueles de que o
sexo masculino, até hoje, beneficia. Trata-se, afinal, da merecida
partilha de deveres e de direitos que, esses sim, não se modificam
consoante o género!
HSC