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06/02/2013

Quando os sons são tons de vida





Hoje, enquanto me passeava pelos CD´s, este veio ter-me à mão. Quanto tempo passou desde que ouvi pela primeira vez estes acordes, à altura em vinil e, eu, uma jovem, tão longe do ponto geográfico de onde me encontro agora. Olho-o… e à memória vem a lembrança exacta de onde o ouvi pela primeira vez. Abro a caixa e calmamente coloco-o no DVD, uns instantes e… os acordes da guitarra enchem o espaço, recordam-me emoções que há muito não se cruzavam comigo, nas escadas da vida que tentamos subir para nos levar a um lugar melhor. Ainda que de modo inconsciente, por vezes, acho que vivo de peter pan… custa ver que o tempo passou, que já muitas folhas caíram em Outonos chuvosos, entardeceres húmidos e manhãs frias em que custa deixar o calor da cama que tantas vezes abrigou as lágrimas da saudade, por algo que foi violentamente interrompido, ficando a eterna fantasia do que poderia ter sido, do que não chegou a ser. Samba pa ti, um marco indelével na vida de uma vida (a minha) no período em que somos felizes e não sabemos.

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        2012.02.06
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04/02/2013

Cada um terá a sua


Na profunda calma da noite... na quietude imensa do tempo... uma só palavra rasga a madrugada, prendo-a... se a liberto incendeia pastagens, dá sinal de que estou viva enquanto meu sangue suba e desça no meu louco fôlego.



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2013-02-04 - Cada um terá a sua 

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27/01/2013

Apetece-me




Apetece-me
a ternura docemente
o afago da voz quente
suave, delicadamente
soprado na minha pele
Apetece-me
beija-me os olhos, a boca
desenha com a ponta dos dedos
assim, sem mais receios
o contorno dos meus seios
Apetece-me
deixa que me revele
mesmo que no embaraço
sufocado no abraço
em que te unes a mim
Apetece-me
e olho-te travessa
deixo que o sorrir te enlouqueça
em sonhos de mel e jasmim
Apetece-me

 

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2013-01-27 - Apetece-me 
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25/01/2013

Não sei



Não sei como escrevê-lo
Porque não é prosa, não é poema... é um beijo.

 

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2013-01-27 - Não sei 
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29/12/2012

Esperança



ANO NOVO
 
 
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
 
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo ! )
 
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
 
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


 
( Mario Quintana )
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998.
 Recebi da: AlwaysElis



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2012-12-29 – Ano Novo
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Mais um Ano



O fuso do tempo consome outro ano, como se fosse possível reiniciar a zero o relógio. Mas, na memória, entocam-se desejos que se recusam ao esquecimento, ficam ali, abscônditos, à espreita, a aguardar o incerto, a distração do destino, momento em que é possível transgredir o roteiro e reescrever o enredo antes que a manhã surja. Neste lapso, escapam do diapasão doentio e alcançam a força de um furacão de desafios que não conhecem os senão, os porquês, nem os fins, ignoram as leis, e ficam sonhos eternos.



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2012-12-29 - Mais um Ano
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19/12/2012

Olha





Olha… não me olhes desse modo
como se me soubesses de cor

não tentes ler o que escondo
és oxigénio em descontrolo
eu faísca no fundo

há em ti coisa de quimera
como se viesses de outra estação

e isso encosta-se à espera
e mexe-me com a razão

não me olhes assim… se te olho
fica tudo por acontecer

entre o que recua e o arrojo
sem saber como dizer

num silêncio que não tem nome
nem diz aquilo que consome

fica o resto por nascer

 

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2012-12-19 – Olha
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