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02/04/2026

Que o céu me ofereça a madrugada




Arde em silêncio, oculto e persistente
como brasa que a noite não consome
 
nasce do que não se diz
do que pesa mais do que o próprio som
 
É chama contida na raiz da voz
eco profundo de um sentir antigo
que sobe lento, quase secreto
até tocar a superfície do dizer
 
e quando enfim se revela
não vem como luz, mas como rasto
um sopro quente que fere e apaga
deixando apenas cinza e memória
 
Talvez seja dor ou desejo
ou o nome esquecido de algo perdido
 
mas arde, arde sempre
no subsolo de cada palavra


***
2026-04-02 - Que o céu me ofereça a madrugada
nn(in)metamorphosis 


2 comentários:

  1. Que belíssimo soneto!!!
    Bom dia, dona no.

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  2. O nascer da luz, tem destas coisas.
    Boa tarde, sô António

    ResponderEliminar

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