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06/01/2026

Ele mesmo se apresenta


C.N.Gil:  ( O dono do O Que Me Dá Na Telha )

Algures nas férias de verão de 1970 um tipo olhou de uma maneira meio esquisita para uma tipa e, 9 meses depois, C. N. Gil apareceu no mundo junto com a primavera

A Partir dos 14 anos começou a tocar guitarra, tendo tido vários projectos musicais, quer de música original, quer bandas de bares, tendo tocado em quase todos os recantos de Portugal, de norte a sul.

Tendo tido sempre gosto pela escrita e leitura, escreveu, normalmente, as letras dos projectos de música originais em que esteve incluído. Em 2011 publicou o seu primeiro romance, "Lilith" pela Lua de Marfim Editora, seguido um ano depois por  "Conscientização"  pela mesma editora.

Após os dois primeiros romances começou a editar os seus livros através da Amazon, o que permite não só um maior controlo, mas, uma vez que os livros são impressos "on demand", menor desperdício de recursos, nomeadamente, papel.

Actualmente C. N. Gil tem uma mulher, uma filha, dois carros e uma hipoteca. Continua a escrever, tendo acabado de editar "O que somos no escuro".

📚📚📚

Depois de lermos isto tudo, ficamos com a clara sensação de que C. N. Gil não é apenas um autor:

 -  É uma espécie de fenómeno literário com guitarra incluída.

 -  É prova de que:

quem sobrevive a bandas de bares, editoras, Amazon, hipotecas e à vida em geral ganha, automaticamente, superpoderes narrativos.

 Os livros?

Já vão em 13 (sim, treze, não é força de expressão), todos eles cheios ,  de personagens, mundos e reflexões que tanto podem parecer pura imaginação como um espelho ligeiramente desconfortável da realidade.

 Ler C. N. Gil é entrar numa viagem onde nunca sabemos bem se estamos num romance, numa crónica existencial ou numa conversa tardia que começa inocente e acaba a mudar-nos qualquer coisa por dentro.

 - Se ainda não leu nenhum, está atrasado.

- Se já leu um, sabe que não vai ficar por aí.

 E se acha que consegue resistir aos treze… boa sorte com isso 📚😉

 

LISTA:

 - Lilith (Lua de marfim editora)
- Chuva (Amazon)
- Inundação (continuação de Chuva) – Amazon
- Conscientização (Lua de marfim editora)
- Renascimento (Amazon)
- Consequências (Amazon)
- Depois do inferno verde (Amazon)
- A dança invisível (Amazon)
- Um casamento moderno"- Amazon 
- do Paraíso (Amazon)
- O que somos no escuro? (Amazon)

-Treta de cabos I: Vidas de Rocker (as histórias secretas dos XXL Blues - CD incluído) - Lua de marfim editora
-Treta de Cabos II: Os cabos contra atacam (as histórias tão secretas que não foram incluídas no volume I e outras) - Amazon

 

CAPAS:


 









Boas leituras, neste 2026

***
2026-01-06
nn-metamorphosis


Sol e Frio

 
O sol até aparece, todo convencido, mas não aquece nada. É um sol de enfeite, próprio para fotografias e enganos. A gente sai de casa cheia de esperança, bem agasalhada, e leva logo com um vento gélido que trespassa a roupa como se fosse renda fina. Cachecol, casaco, camisola interior? Tudo inútil. O frio encontra sempre um caminho, sobretudo pelo pescoço e pela alma. E depois vêm as gripes, fiéis como más companhias: olhos chorosos , e não é de emoção, narizes vermelhos que dispensam palhaço no circo, e vozes fanhosas que transformam um simples “bom dia” num solo de trompete desafinado. Ainda assim, lá vamos nós, a fungar com dignidade, a queixar-nos do tempo com convicção científica e a garantir que “isto não é frio nenhum”… enquanto batemos o dente como castanholas.


 ***

2025-01-06 – Sol e Frio
nn-metamorphosis

03/01/2026

Como um bom casaco

 
Entra 2026, sem bater à porta
não ligues ao pó nem à confusão
Por cá tenta-se, falha-se, volta-se à rota
com mais teimosia do que razão
 
Que os dias corram sem pedir licença
uns tortos, outros a sair direitos
E que a pressa não mate a esperança
nem nos roube o riso dos defeitos
 
Se um plano cair, deixa-o no chão
há quedas que não pedem conserto
Levanta-se outro, muda-se a mão
que o caminho faz-se meio incerto
 
Que haja amor sem voz levantada
trabalho que pague o pão e o vinho
E uma graça leve, mal educada
a lembrar que ninguém sabe o caminho
 
Segue-se assim, sem mapa nem guia
com calma, tropeço e algum engenho
Se a vida não cumpriu o que prometia
ao menos que cumpra o riso e o empenho
 
***
 
Que 2026 venha como um bom casaco: que não chama a atenção, mas faz falta quando é preciso.


***

2025-01-03 – Como um bom casaco
nn-metamorphosis



31/12/2025

2026 - Feliz Ano Novo

 


Que 2026 chegue com calma
Com boas vibes e energia no ar
Que a saúde seja companheira
E a paz venha para ficar

Que haja tropeços pequenos
Só daqueles que dão para rir
E histórias meio exageradas
Que ninguém precise de admitir

Que os dias não venham aos gritos
Nem com urgências sem razão
Que haja tempo para o café
Antes de mais uma reunião

Se o ano não vier perfeito
Raramente vem convenhamos
Que traga cabeça no lugar
Menos ruído e mais planos

E se a vida se embrulhar
Que nos sobre sempre uma piada
Um sorriso maroto na boca
E coragem para a jornada


***

2025-12-31
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21/12/2025

O verdadeiro natal


 


Natal não é presente caro, mas o abraço apertado.

Natal não é a árvore decorada, mas a mesa cheia de risos e afecto. 

Natal é o calor da casa, onde mães, pais, filhos e netos se encontram. É a presença dos tios, primos e amigos que nos fazem sentir completos.

Neste tempo, o mais precioso é estar junto, é partilhar o amor que nos une e não o que podemos dar em papel dourado.

Natal é gente, é vida, é alegria. 

O resto é só o brilho das estrelas que, por dentro, já brilha em nós.


Para todos e cada um em especial - FELIZ  NATAL!




***
2025-12-21
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21/10/2025

Essência

 Vivo a minha vida sem pressas nem mapas. Deixo que os dias me levem, sem grandes planos nem promessas. Não persigo o que foge, mas também não ignoro o que me chama. Gosto das pequenas coisas: um olhar distraído, um som de fundo, um instante que parece nada e acaba por ser tudo.

Aprendi que o sentido das coisas aparece quando deixo de o forçar. Que as quedas ensinam, mesmo quando doem. E que o tempo tem um jeito curioso de pôr tudo no lugar, mesmo o que parecia perdido.
Não procuro perfeição, procuro presença. Vivo entre o caos e a calma, a tentar ser inteira,  mesmo quando não percebo bem o porquê de tudo.


***

2025-1-21 - ESSÊNCIA
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06/10/2025

Amor é... mas não é




ele diz que a ama
ela acredita
por um instante

o amor sente-se
sim
mas sentir não chega
não basta para durar

o amor é o que se faz
quando o dia pesa
quando o corpo cansa
e ainda assim
há cuidado

é ela preparar o café
não por hábito
mas porque hoje
ele precisa

é ele pôr a mesa
porque hoje
é ela
que chega mais tarde

o amor é escolha
repetida
no silêncio
e no gesto

amor é prática
amor é cuidado
amor é insistir em ficar

amor é…
mas não é

o que se sente

o que se sente precisa
do que se faz


*** 

2025-10-06 . AMOR É … MAS NÃO É 
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21/09/2025

À porta do Outono

 

Domingo, fim de tarde

O Verão despediu-se hoje com a sua luz dourada e preguiçosa. Senti-o claramente: o ar já não traz a vibração dos dias quentes, mas uma doçura calma, quase rendida. Passei a tarde a observar como as sombras se alongam mais cedo, como o céu parece querer descansar, e dei por mim a sorrir com essa melancolia leve que nunca sei bem se é saudade ou alívio.
 
Amanhã chega o Outono. 
Sinto-me pronta para o receber. Há qualquer coisa de reconfortante nesta mudança: o cheiro prometido da terra molhada, as folhas que hão-de cair em tons de cobre e ferrugem, o convite ao recolhimento e à serenidade. É como se a natureza me desse permissão para abrandar, para me voltar mais para dentro, para escutar o que em mim também pede silêncio e pausa.
 
Dou as boas-vindas ao Outono como quem recebe uma visita esperada. Não com euforia, mas com a ternura de quem reconhece no tempo que passa uma sabedoria maior. Que ele me traga serenidade, tardes longas de chá quente, e a lembrança de que cada fim é também um início disfarçado.

 

***
 2025-09-21 - À PORTA DO OUTONO - Reflexoes
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19/09/2025

Essencial

 
A felicidade para mim
é ter o corpo leve
sem dores que pesem nos passos
 
É deitar a cabeça na almofada
sem fantasmas à porta
sem sombras na janela
 
É abrir os olhos de manhã
e sentir que o peito respira
sem pressa
sem medo
sem angústia
 
O resto
os sonhos os desejos
as conquistas
vêm depois


 ***

2025-09-19 – ESSENCIAL 
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17/09/2025

Difíceis de lidar, mas com impacto

 
Estava sentada numa mesa de café, a meio da tarde, num espaço quase vazio. Fui convidada pela própria organizadora a participar numa reunião para juntar dinheiro e bens de primeira necessidade para uma família monoparental que após um divórcio, se reinventa e segue em frente..
 
Enquanto a organizadora esteve presente, o pequeno grupo, que me pareceu já se conhecer entre si, ao contrário de mim,  rodeava-a de sorrisos e elogios exagerados. Cada pedido ou ideia era imediatamente elogiado, gerando mais uma enxurrada de elogios vazios que soavam forçados e artificiais, destoando do objetivo da reunião.
 
Mas, quando a organizadora saiu e eu esperava para pagar o café, o ambiente mudou imediatamente. Surgiram comentários como: “É difícil de lidar”, “Raramente está de acordo”, “Dificilmente lhe ouves um elogio.” O contraste era evidente: enquanto estava presente, recebia elogios falsos; fora do seu alcance, era julgada e rotulada.
 
A experiência mostrou-me como a bajulação distorce a percepção das pessoas. Quem não se presta a esse jogo de elogios vazios acaba rapidamente rotulado de “difícil”, mesmo agindo com honestidade.
 
Só um aparte; Elas não sabem, mas, tal como a organizadora, eu sou das “difíceis de lidar”: elogios e bajulações ocas não fazem parte dos pratos que engulo, nem a custo.
 
Apesar de tudo, conseguimos reunir um bonito valor e alguns cabazes de compras não perecíveis, higiene e limpeza para alguns meses.
 
No fim, é isso que realmente importa: a ajuda que chega de forma concreta e útil. O resto é isso mesmo, resto.


***

2025-09-17 - Difíceis de lidar, mas com impacto
nn-metamorphosis 


16/09/2025

Sou música, ainda que fragmento

 
Eu sou música e com cada nota danço a vida


***

2025-09-16 - Sou música
nn-metamorphosis

Sou música (mesmo em Japonês)

 

Dança da vida
sou ritmo em movimento
sou harmonia


***
2025-09-16 - Sou música
nn-metamorphosis

Sou música

 



Sou música
sou som que se espalha no ar
e com ela danço a vida
a passo
com compasso
deixando-me levar

Cada nota é caminho
cada silêncio respiração
a dança é o destino
que nasce do coração


***

2025-09-16 – Sou música
nn-metamorphosis


15/09/2025

Setembro em pessoa

 


Se setembro fosse gente
teria o bronzeado dos últimos dias de verão
cheiraria a livros novos e cadernos por estrear
traria nos bolsos a promessa de lareiras acesas
castanhas assadas cacau quente e silêncios bons

Falaria com voz de brisa entre folhas douradas
vestiria suéter leve e meias de lã
guardaria memórias do mar entre os dedos
e olharia o futuro com olhos de recomeço

Tocaria o coração com mãos de saudade
oferecendo tardes douradas e manhãs frescas
com um sorriso tímido de quem parte devagar
mas deixa o outono inteiro por desvendar
  

(Um poema para o meu aniversário)


 ***

 2025-09-15 – SETEMBEO EM PESSOA 
nn-metamorphosis

12/09/2025

Como um pé de vento

 


Demorou a adormecer
estava meio passional por dentro
não era tristeza nem saudade
apenas um tumulto
uma inquietude sem nome

Se tivesse o dom de se evaporar
iria como um pé de vento a dançar
seria brisa num campo qualquer
ou sombra numa rua escura a correr
escutando a noite sussurrar
os segredos que o mundo quer guardar

E enquanto o mundo dormia em silêncio
sentiu que tudo podia existir
como folhas levadas pelo vento
ou sonhos que aprendem a fugir
 

 ***

 2025-09-00 –Como um pé de vento
nn-metamorphosis


11/09/2025

No circo da vida (7): Ainda na corda




Não morri
Estou quebrada sim
mas a quebra não me fez pó

Sou cacos que brilham
quando a luz insiste
sou rachadura
por onde a coragem entra

O mundo pensa em ruínas
eu penso em sobrevivência

Ainda caminho
mesmo que trémula
ainda ergo os olhos
mesmo que cansados

Porque a corda está ali
e enquanto houver fio
haverá passo

Não morri
Estou quebrada
mas ainda e sempre
na corda


***

2025-MAI - No circo da vida:  Ainda na corda
nn-metamorphosis


Epílogo

 Cada palavra que escrevi é um passo
e cada passo, mesmo que trémulo
 prova de que ainda existe caminho e corda



10/09/2025

No circo da vida (6): A pausa entre passos




Não é o salto
não é o gesto
que garante equilíbrio

É a pausa
A respiração funda
o instante breve
em que nada acontece
mas tudo se recompõe

No silêncio entre dois passos
encontro a minha força
E descubro que às vezes
o que me sustenta
não é o andar
é o parar


***

2025-MAR - No circo da vida:  A pausa entre passos
nn-metamorphosis


09/09/2025

No circo da vida (5): A corda esticada do tempo




Entre o ontem que já partiu
e o amanhã que ainda é promessa
há este fio esticado
presente

Se olho para trás vacilo
Se me lanço à frente tropeço
Só o agora
aguenta o meu peso
só nele encontro chão
mesmo sem chão

E compreendo
o tempo é a corda

eu sou a travessia


***

2025-FEV - No circo da vida: A corda esticada do tempo
nn-metamorphosis



08/09/2025

No circo da vida (4): O vento do medo




O vento sopra alto
balança o fio
balança o peito

Penso em desistir
mas descubro que o medo
não é inimigo
é aviso
é lembrança de que vivo

E quando ergo o rosto
vejo que o vento
só existe
para me ensinar
a firmeza dos passos


***

2025-FEV - No circo da vida: O vento do medo
nn.metamorphosis


05/09/2025

No circo da vida (3): O aplauso do silêncio



No alto da corda
os olhos não buscam plateias
Aprendi que o som do mundo
é frágil passageiro

O que sustenta os meus pés
não são as palmas
mas a certeza de que avancei
mesmo quando o medo
me chamou pelo nome

Há um aplauso secreto
que só o silêncio conhece

o coração que pulsa firme
a respiração que agradece
por não ter desistido
de si


***

2025-JAN - No circo da vida:  O aplauso do silêncio
nn-metamorphosis


04/09/2025

No circo da vida (2): A rede invisivel

2de 7



Caminho na altura dos sonhos
onde o vento é dúvida
e o fio destino

Debaixo de mim
não vejo nada
mas sinto a rede discreta
tecida pela confiança
que ainda guardo em mim
e nas poucas mãos
que nunca me deixaram cair

A rede invisível
não prende
não impede o voo
Apenas me recorda
que mesmo quando o mundo decepciona
há forças silenciosas
que amparam o salto


***

2025-JAN - No circo da vida:  A rede invisível
nn-metamoephosis


03/09/2025

No circo da vida (1): Sou a Equilibrista


Travessias da Equilibrista


 Prefácio

Sou alguém que procura equilíbrio
entre quedas e passos
e que descobriu nas palavras
uma forma de continuar a travessia
 
Travessias da Equilibrista é composta por 7 poemas
Não surgiram de uma vez
mas passo a passo, bem devagar
como quem caminha numa corda esticada
 
Catarse de alguém
que mesmo quebrada
segue em frente:
ainda e sempre
na corda


***




Equilibro-me
na ténue linha
entre escolhas e consequências

como quem dança
sobre o fio invisível
que separa o medo
da coragem

Cada passo é decisão
cada gesto semente
lançada ao tempo
flores ou espinhos
não sei

E a isto chamo viver
ser livre
mesmo sabendo
que a liberdade
pesa tanto quanto o risco
mas ilumina
sempre
o caminho


 ***

2025-JAN - No circo da vida: Sou a Equilibrista
nn-metamorphosis




28/08/2025

Querida vida


Hoje, 27-08-2025 - ao sentar-me para tomar um café, fui surpreendida por uma cena singela e, ao mesmo tempo, profundamente comovente.
Duas senhoras, de idades já vestidas pelo tempo, sentaram-se na mesa ao lado. Falavam baixo, mas com uma intensidade que atravessava o silêncio entre os goles de café. Dissertavam sobre a vida -  sobre quedas, recomeços, solidão e afetos. No entanto, havia uma pergunta que se repetia entre elas:
 
“O que vale mesmo a pena guardar?”
 
Fiquei com essa pergunta a ecoar em mim. E é com ela no pensamento que te escrevo, querida vida:
 
 ***
Querida vida,

 

Escrevo-te com o coração tranquilo e o olhar pousado no que ficou para trás - não com saudade amarga, mas com um sentimento profundo de gratidão. Ao longo do caminho, fui percebendo que nem tudo merece ser guardado. E, ainda assim, há coisas que faço questão de levar comigo.
 
Quero guardar os momentos em que o amor falou mais alto. Os abraços que aqueceram a alma, as palavras que chegaram no momento certo, os silêncios que acolheram melhor do que qualquer explicação. Esses pequenos grandes instantes que, por mais breves que tenham sido, deixaram marca.
 
Quero guardar a simplicidade dos dias comuns - o cheiro do café logo de manhã, a brisa suave num final de tarde, as gargalhadas partilhadas com quem é de verdade. São esses detalhes que, no fundo, sustentam o coração.
 
Da dor, quero guardar apenas aquilo que me ensinou. As quedas que me obrigaram a levantar, os recomeços que exigiram coragem, as perdas que me ensinaram a valorizar o que ainda tenho. A dor passa, mas o que aprendemos com ela fica.
 
Quero guardar também as pessoas que me tocaram com sinceridade. Algumas ficaram, outras seguiram o seu caminho, mas todas deixaram algo em mim. E isso, por si só, já merece ser lembrado com carinho.
 
E, acima de tudo, quero guardar a pessoa que me tornei. Com todas as marcas, os sorrisos, as lutas e os sonhos. Porque a vida, no fim de contas, é isto: uma construção contínua de tudo aquilo que escolhemos guardar no coração.
 
Com carinho,

 

 ***

2025-08-28 – QUERIDA VIDA
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Pai

 

Pai

a tua ausência é presença
a tua voz é silêncio que fala
O amor que me deste
não partiu contigo
vive em mim
para sempre

  

2025-08-28 ­– Pai - saudade
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22/08/2025

Perfumes da memória


 
Cheiros que se fazem raízes
adormecem
mas um sopro basta
para me levarem de volta
 
Beijos repenicados dos pais
colo e riso
 
Café da avó
abraço quente a abrir manhãs
 
Maçãs bravias da tia
sol guardado na casca
 
Chuvas de verão
pó lavado
pele fresca
 
O mar 
sal, brisa
casa sem chave
 
E aquele instante:
Jesuíta a sair do forno
cheiro que é já memória
 
E tu
primeiro olhar
um odor guardado no ar


***
2025-08-22- Perfumes da memória
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21/08/2025

Cicatrizes

 
Perguntaram-lhe
por que caminhava leve
por que segurava o gesto
por que evitava ferir
 
Silenciou por momentos
como quem guarda o mar no peito
e respondeu baixinho
quase em sussurro
 
É que eu sei o quanto dói
Já provei o corte invisível
já senti o peso da ferida
que não se vê mas nunca esquece
 
Por isso cuido
por isso calo
por isso abraço com cuidado
porque a dor
quando toca
fica

*** 

2025-08-21  - Cicatrizes
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20/08/2025

Entre o passado e o agora

 



Na rua cruzaram-se
o tempo parecia brincar
quinze anos de silêncio
num instante a desatar

Sentaram-se frente a frente
no café da esquina esquecido
do passado vieram histórias
do presente, o riso contido

Falaram de outros tempos
de amigos já dispersos
uns casaram, outros partiram
e os encontros tornaram-se escassos

Não havia mágoa, só memória
nem saudade que doesse demais
havia o conforto simples
de reencontrar um velho amigo
e saber que entre o ontem e o agora
a amizade ainda tem lugar

 
 

 

 ***

2025-08-20 - Entre o passado e o agora
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