Eu, que mais sinto do que sei, serei, por tal motivo, pouco avalizada
para falar de saudade, mas posso garantir que será feita de diversas
matérias, ora em bruto, ora em ligas mais ligeiras, mas não menos
afiadas. Quando ataca, fá-lo sem dó nem piedade - porém, nem sempre faz
doer, tem vezes que faz sorrir, faz dos olhos lagoas calmas, torna o
coração em djambé bem tamborilado - assim eu sinto a saudade e espero
que enquanto eu viver, ela nunca me abandone, porque ela, sou eu também .
Ai que saudade do mar desse que em manhãs de
nevoeiro entre salgadas
lágrimas de coragem e medos me conta segredos de
ilhas perdidas entre o mar das
tormentas e enseadas de todos os perigos
Ai que saudade do mar desse que em dia de céu
azul e sol dourado me ouve com calma,
embala a saudade me enfeita o olhar,
acaricia a pele, salga o paladar abraça-me o corpo num
longo beijar
Ai que saudade do mar desse que em noites
enluaradas me conta histórias de
navios fantasma marujos perdidos,
misteriosos cantares de doces sereias sussurra mistérios,
fala-me de amor