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19/11/2016

Mar





Ai que saudade do mar
desse
que em manhãs de nevoeiro
entre salgadas lágrimas de coragem e medos
me conta segredos de ilhas perdidas
entre o mar das tormentas e enseadas de todos os perigos

Ai que saudade do mar
desse
que em dia de céu azul e sol dourado
me ouve com calma, embala a saudade
me enfeita o olhar, acaricia a pele, salga o paladar
abraça-me o corpo num longo beijar

Ai que saudade do mar
desse
que em noites enluaradas
me conta histórias de navios fantasma
marujos perdidos, misteriosos cantares de doces sereias
sussurra mistérios, fala-me de amor

quem dera pudesse levá-lo para onde eu for




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2016-11-18
nn(in)metamorphosis



14/11/2016

Mais lua e luar em modo super



Pelo seguro, pois não sei se  estarei cá em 2034 para ver de novo  :=))


Desta vez apanhei-a a pespontar um telhado, nas traseiras da minha casa. Aprisionei-a à falsa fé, antes que se escondesse com o meu telhado e só bem mais tarde a apanhasse na varanda da frente mas, já perdida a surpresa.










de novo, assim,  só daqui a 18 anos, dizem os entendidos


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Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

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13/11/2016

A Lua na minha varanda

há escassos momentos


Admiro-lhe a delicadeza no estender dos seus braços a quem lhe sorri. 
Sei que não preciso sequer pedir que me embale, para que me aconchegue e me cubra de ternuras.

É assim a Lua!  Não resiste a beijar-(me)-nos...





04/11/2016

Dos afectos






Nesta vida, vivida a correr, entre obrigações e atribulações, aquele espaço, onde deveria caber a convivência humana e afectiva, vai diminuindo, até que,  parece já não encontrar  lugar. E assim, nos vamos afastando do contacto pessoal, e esvaziando-nos de sensibilidade. No fundo, nós não vamos deixando as pessoas para trás, as pessoas é que nos vão perdendo aos pouquinhos.




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2016-11-04 
nn(in)metamorphosis