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20/09/2015

Não dizemos adeus


Não dizemos adeus
à sombra que nos acompanha
no passeio ao sol da manhã
ao pássaro que pousa
antes de voar para outro lugar

Não dizemos adeus
à página que passamos
do livro que estamos a ler
à tarde que finda
antes de chegar a noite

Não dizemos adeus
Ao mar que se espraia na areia
À palmeira sobranceira
à folha que se liberta em cada cacimbo

Não dizemos adeus
à flor do maracujá
quando se transforma em fruto
ao som do kissange tocado
enquanto se aguarda o machimbombo

 e dissemos adeus


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 2015-09-20
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Kissange/Kisanji (Em Angola)

Kalimba (em Moçambique)



15/09/2015

Do provecto desalento



É no seu pranto que mergulha a alegria
No silêncio do seu canto, luz de outrora
Descrente de uma louca fantasia
Que como um lobo esfaimado a devora
Fez da pele um retalho de agonia

Abandonada pelo sonho, luz ausente
No seu grito emudeceu a melodia
E do sangue se fez lodo sem corrente
Quem a salva desta podre decadência
Ser ou ente que intervenha, até a morte

Nem orgulho já lhe resta, só demência
Entrega a alma ao devir ou mesmo à sorte
Mira em volta, num torpor embaciado
No degredo do deserto em que desmaia
Por desprezo do seu próprio desalento
Quase cega, resta um sopro desfigurado

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2006-09-15
nn(in)metamorphosis

13/09/2015

Cantigas ao desafio XXVIII



Hoje até é um bom dia
para perceber se isto é mesmo isto,
ou se isto é aquilo.
E se isto for mesmo isto,
bom mesmo,
era isto ser aquilo,
para não ter que passar por isto.

E, posto isto,
vá-se lá entender isto,
que está mais que visto
que não é aquilo
e é mesmo isto!

Raios-parta Isto!

(Cópia integral e autorizada)
  
*****

E se aquilo
Que se quer isto
Não for mais do que um misto
D’isto e daquilo?

Lá se perde o equilíbrio
No meio da confusão
E o dia para analisar isto
Já nem se sabe se é bom

Raios partam 
Isto e aquilo
ou será aquilo e isto?

Ai!!! Que já se me deu um nó
Até sinto algo esquisito
Ai jesus, será um quisto?
  

2015.09-07
nn(in)metamorphosis


Um prazer novo


Talvez pelo feitio, que o tempo foi lapidando, tornando-o mais refinado, menos impulsivo, quiçá também, menos puro, menos espontâneo.
Talvez pela idade. Talvez pela circunstância da globalização dos problemas. 
Talvez por isto. Talvez por aquilo. Talvez por tudo junto. 
A verdade, é que seja qual for a causa, ou causas, cada vez mais, preciso deste prazer novo, gozado em períodos curtos, ou longos, mas que a não existirem, me condenam a uma asfixia dolorosa.
Preciso, de me rodear de silêncio.
Preciso, de um silêncio, que o único (re)corte que suporta, é um som musical de fundo, para que afunde, ainda mais ,o silêncio de que preciso.

Silêncio, que não é solidão, mas mera satisfação, de estar, eu, comigo.



 

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 2015-09-13
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08/09/2015

Setembro-me



Setembro, mês de transição entre o Verão e o Outono e, é também o meu mês.
Embora esteja a chover, está quente, e eu adoro chuvas em tempo quente. É Setembro e Setembro-me, como quem se espraia ao pôr do sol, olhando o horizonte, enquanto no DVD, Carlos Santana me enche a alma com o Samba pa ti

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2015-09-08
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28/08/2015

Caleidoscópio



Às vezes...
sou a delicadeza do azul, o atrevimento do vermelho, o calor do amarelo
Noutras...

sou ausência de cor


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2015-08-28
nn(in)metamorphosis



O tempo passa


O tempo que passa, e nos encurta a distância, pai, é o mesmo que não apaga o torpor da tua ausência.


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2015-08-28
nn(in)metamorphosis


26/08/2015

Esconder esta saudade é mentir


Carlos Paião
Neste dia em que se comemora 27 anos após a sua morte, a minha homenagem numa canção que me transmite sentimentos de saudade, ainda e sempre tão actuais, dessa minha terra de coração



Lá Longe Senhora
Carlos Paião
  
Senhora da minha fé sabes como é ter recordações
Quantas vezes te chamei, quantas te rezei minhas orações
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente sonhar

Senhora da minha luz, a que me conduz onde posso ir
Cada dia aqui me tens, cada dia vens ouvir-me pedir
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente sorrir

É bonita a minha terra e agora, ai agora
Esconder esta saudade é mentir

(Refrão)
E lá longe, lá longe, Senhora
Há pessoas que eu quero abraçar
De tão longe viemos embora
E dói muito partir sem voltar

De tão longe viemos embora
E dói muito partir sem voltar

Senhora da minha esperança que não se cansa de me dizer
Que sonhar só tem valor onde houver amor para se viver
Quero ver a minha terra Senhora
Para ver a minha gente crescer

É bonita a minha terra e agora, ai agora
Conhecer esta saudade é morrer.


2015-08-26
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12/07/2015

Tricot



Tricoto a vida
em ponto de gente

com gestos de amor
laças de carinho
como quem faz uma manta
aconchego fofinho

do tic tic das agulhas
escorrem ternuras
alegrias, saudades
algumas agruras

pontos  cheios, pontos vazios
ninhos de vespa, favos de mel
teias, torcidos e embutidos
bicolores que alegria
mas os que mais gosto
são os fantasia

Tricoto silêncios
e ausências também
umas quantas vezes
nem tão poucas assim
uns pontos de raiva
mais uns de chinfrim

Tricoto a vida
Em ponto de gente

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2015-07-12
nn(in)metamorphosis

10/07/2015

Olhares



Há dias, em que me sento sobre as palavras, outros em que as palavras me faltam, e pergunto-me onde as terei perdido. Talvez pelas arestas da vida. 
Há dias, em que me curvo sobre ideias, outros há, em que as ideias desaparecem, como se estivessem escritas num quadro preto e as tivessem apagado.
Mas, em todos os dias eu sei, que a felicidade não se planeia, nem o amor se mendiga. Que o olhar não brilha só porque sim, nem o sorriso se pede. Que se me zango, rio e choro, é simplesmente porque 
sinto, e as palavras e as ideias voltarão, porque estou viva.

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 2015-07-10
nn(in)metamorphosis





06/07/2015

É Verão em mim



Algo me impede de te dizer estas coisas
talvez seja falta de jeito
mas gosto ainda mais de ti no Verão

No Verão 
tens um sabor diferente na boca
um não sei quê de morno nos caracóis
nos olhos oceanos profundos com praias de areia fina e palmeiras 
E o teu corpo… 
o teu corpo cheira a terra, e a fruta madura

E porque te digo tudo isto agora 
será porque é Verão
ou porque estou apaixonada?

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2015-07-05
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01/06/2015

Da (im)perfeição




Procuro a verdade na (im)perfeição…  Para lá da beleza construída, e da palavra cheia de cuidados,  é que começa o ser


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2015-06-01
nn(in)metamorphosis


28/05/2015

Agendar



Hoje acordei com saudade de mim. Preciso visitar-me mais vezes...





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2015-05-28
nn(in)metamorphosis


20/05/2015

Happy Selfies



Guarnece-se a vida de happy selfies … todos tão felizes, tão in, tão inteligentes, tão bem sucedidos mas, a cada dia, mais pobres de atitudes e de valores. Tudo é volátil, efémero, descartável. São cada vez mais as palavras que secam, murcham e morrem no ouvido, sem chegar ao coração


PS: Dizem os entendidos, que parei no tempo, não acompanhei a evolução. Um dia destes acerto o passo, bato em alguém e coloco no youtube; entro no concurso do "quem se embebeda mais depressa"; colecciono quecas e posto no face,  algo por aí... cool não?


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2015-05-20
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13/05/2015

Expressão mímica do gosto-te



Roubado
Dado
Mordido
Molhado
Salgado
Doce
Picante
Selinho
Urgente
Carente
Envolvente
o beijo é…
o segredo que se diz na boca
o convite  indecente
a estrofe em duas rimas
a caricia louca
que o olhar não desmente
e o corpo, fremente, diz …
quero maaaaaais…

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2015-05-13
nn(in)metamorphosis



11/05/2015

Até um dia destes... Ou não



Cerra os olhos
Distingue-me nas nuvens cinzentas
Carregadas, por cima do teu olhar
Sente-me como um refúgio
Que se irmana à tua janela aberta
Se te encontro no encanto dos dias
E na passagem das horas
Cerra os olhos
Vê-me agora um pensamento ancorado
Passarito esgueirando-se no teu telhado
Sente-me em hálito que aporta
Em cais sombrio
E resvala como um manto
Transformando-se em leito de rio

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 2015-05-11 
nn(in)metamorphosis



07/05/2015

Da cegueira



Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?

Da voz que estende a mão pedindo pão
do olhar que grita suplicando atenção
da cabeça baixa em desolação
desses humanos farrapos da civilização

Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?

Dos vultos ocultos pela noite que esconde
a dor das lágrimas silenciosas
o desespero das mãos vazias
o abraço que guarda o nada
o uivo dum estômago vazio

Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?

Para além do que o olhar nos permite
na azáfama, na correria do que dizemos ser vida
da vida desses anónimos
que hoje nos são antónimos
e amanhã  ser-nos sinónimos

Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?

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2015-05-07
nn(in)metamorphosis

05/05/2015

Ademonia


Mordem-me as palavras que calo
Curva-me a humildade que não tenho, na dor que me mostra incapaz
Vergasta-me a raiva que aprisiono num lago já sem água



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2015-05-05
nn(in)metamorphosis