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19/12/2012

Olha





Olha… não me olhes desse modo
como se me soubesses de cor

não tentes ler o que escondo
és oxigénio em descontrolo
eu faísca no fundo

há em ti coisa de quimera
como se viesses de outra estação

e isso encosta-se à espera
e mexe-me com a razão

não me olhes assim… se te olho
fica tudo por acontecer

entre o que recua e o arrojo
sem saber como dizer

num silêncio que não tem nome
nem diz aquilo que consome

fica o resto por nascer

 

***
2012-12-19 – Olha
nn(in)metamorphosis



10/12/2012

O mistério do olhar


O mistério do olhar
não mora em quem vê
mas em quem se deixa ficar
cativo
 
e então
no leve enlevo do instante
abrem-se imagens sem dono
 
rostos que não terminam
corpos que dançam dentro da luz
contrastes que sussurram baixo
cheiros que lembram sem nome
pistas soltas no ar
rastos que não querem partir
 
uvas que brilham sem peso
beijos que não pousam
danças suspensas
como se o mundo respirasse devagar
 
e tudo isso
sem saber bem onde começa
 
nem onde se fecha
 
fica apenas o brilho em suspensão
e o que o olhar não consegue fixar



 ***
2012-12-12 - O mistério do olhar
nn(in)metamorphosis


28/11/2012

Entre o vento e o silêncio



Pela tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda. Sentei-me no chão, esquecendo que era Outono, mas lembrando que não havia vento. Recostei-me na parede, cerrei o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada.

 Nessa semi-inconsciência, dei conta da importância dos afectos, não como excesso, mas como coisa simples que nos sustenta sem fazer barulho. Alguém que nos dê um abraço apertado, alguém que nos segure a mão e nos deixe ficar, alguém que nos diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos lembre que o mundo pode ser mais leve por instantes.

 Alguém que nos salve, nem que seja por momentos, da melancolia, das velhas canções, da nostalgia. Alguém que guarde o que não dizemos, e que nos devolva um sorriso sem pedir nada em troca.

 Estremeci. O vento tinha levantado e acordei desse lugar em que não sei se dormia, ou se sonhava acordada.

  

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2012-11-28 – Entre o vento e o silêncio 
nn(in)metamorphosis