O fuso do tempo consome outro ano, como se fosse possível
reiniciar a zero o relógio. Mas, na memória, entocam-se desejos que se recusam ao
esquecimento, ficam ali, abscônditos, à espreita, a aguardar o incerto, a distração do destino, momento em que é
possível transgredir o roteiro e reescrever o enredo antes que a manhã surja. Neste
lapso, escapam do diapasão doentio e alcançam a força de um furacão de desafios
que não conhecem os senão, os porquês, nem os fins, ignoram as leis, e ficam sonhos eternos.
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2012.12.29
nn(in)metamorphosis
