Pela
tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda. Sentei-me no chão,
esquecendo que era Outono, mas lembrando que não havia vento. Recostei-me na
parede, cerrei o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada.
Nessa
semi-inconsciência, dei conta da importância dos afectos, não como excesso, mas
como coisa simples que nos sustenta sem fazer barulho. Alguém que nos dê um
abraço apertado, alguém que nos segure a mão e nos deixe ficar, alguém que nos
diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos lembre que o mundo pode ser mais
leve por instantes.
Alguém
que nos salve, nem que seja por momentos, da melancolia, das velhas canções, da
nostalgia. Alguém que guarde o que não dizemos, e que nos devolva um sorriso
sem pedir nada em troca.
Estremeci.
O vento tinha levantado e acordei desse lugar em que não sei se dormia, ou se
sonhava acordada.
***
2012-11-28 – Entre o
vento e o silêncio
nn(in)metamorphosis