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19/12/2012

Olha...






Olha ...
não me olhes… Se te olho
não tentes ler meu compêndio
és oxigénio, e eu chispa
podemos causar incêndio

És quimera feito alimento
pelo calor que de ti emana
agitas-me o pensamento
oxigénio nesta chama

Olha ...
não me olhes… Se te olho
queimar-me, quero
sem demora
num pecado feito dom
num delírio em edredom
com cheiro a raiar d’aurora


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2012-12-19
nn(in)metamorphosis

10/12/2012

O mistério do olhar



O mistério do olhar
não depende de quem olha
mas de quem fica cativo
e no enlevo
surgem mil imagens
rostos, corpos, contrastes
cheiros, pistas e rastos
uvas, danças e beijos
que ficam suspensos no ar

Enfim!...mil miragens


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25.11.2012
nn(in)metamorphosis


28/11/2012

Delirios



Pela tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda, sentei no chão, esquecendo que é Outono, mas lembrando que não havia vento, recosto-me na parede, cerro o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada. Nessa semi-inconsciência, dei conta de como às vezes é importante, ter alguém que nos dê um abraço apertado, alguém que nos segure na mão e nos diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos salve da melancolia, das velhas canções, da nostalgia, alguém que nos guarde as palavras caladas, alguém que nos atire um sorriso sem pedir nada em troca. Estremeci, o vento tinha levantado e assim acordei de um sonho em que não sei se dormia ou se sonhava acordada.

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       2012.11.28
nn(in)metamorphosis