Somos feitos de pó e de demora
de gestos que ninguém vê
de uma fome antiga de sentido
e até de um medo que não sabemos dizer
aprendemos a perder devagar
chamamos destino ao acaso
e amor à vontade de ficar
nem milagre em saber levantar
somos frágeis por dentro
mesmo quando fingimos não quebrar
há quem grite para não se ouvir
há quem faça do pouco um abrigo
e quem tenha tudo e não saiba sorrir
nem a razão de existir o universo
somos apenas um intervalo
entre o vazio e o disperso
que tanto nos custa aceitar
não há excepcionalidade no humano
há apenas maneiras de estar
um corpo que aquece outro corpo
uma mão que não larga outra mão
e alguém que fica
quando tudo parece morto
2026-10-12 - Não há excepcionalidade no humano
noname.metamorphosis
Uau! Um poema bem sentido... Adorei de verdade!!
ResponderEliminarBeijos e uma boa semana.
Obrigada Cidália.
EliminarBoa semana