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12/10/2026

Não há excepcionalidade no humano

 
Somos feitos de pó e de demora
de gestos que ninguém vê
de uma fome antiga de sentido
e até de um medo que não sabemos dizer
 
Nascemos sem saber o caminho
aprendemos a perder devagar
chamamos destino ao acaso
e amor à vontade de ficar
 
Não há raridade na queda
nem milagre em saber levantar
somos frágeis por dentro
mesmo quando fingimos não quebrar
 
Há quem passe pela vida em silêncio
há quem grite para não se ouvir
há quem faça do pouco um abrigo
e quem tenha tudo e não saiba sorrir
 
Não somos o centro de nada
nem a razão de existir o universo
somos apenas um intervalo
entre o vazio e o disperso
 
e talvez seja essa a verdade
que tanto nos custa aceitar
não há excepcionalidade no humano
há apenas maneiras de estar
 
e no meio de tanta insignificância
um corpo que aquece outro corpo
uma mão que não larga outra mão
e alguém que fica
quando tudo parece morto
 
 
***
2026-10-12 - Não há excepcionalidade no humano
noname.metamorphosis



2 comentários:

  1. Uau! Um poema bem sentido... Adorei de verdade!!

    Beijos e uma boa semana.

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