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28/11/2012

Entre o vento e o silêncio



Pela tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda. Sentei-me no chão, esquecendo que era Outono, mas lembrando que não havia vento. Recostei-me na parede, cerrei o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada.

 Nessa semi-inconsciência, dei conta da importância dos afectos, não como excesso, mas como coisa simples que nos sustenta sem fazer barulho. Alguém que nos dê um abraço apertado, alguém que nos segure a mão e nos deixe ficar, alguém que nos diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos lembre que o mundo pode ser mais leve por instantes.

 Alguém que nos salve, nem que seja por momentos, da melancolia, das velhas canções, da nostalgia. Alguém que guarde o que não dizemos, e que nos devolva um sorriso sem pedir nada em troca.

 Estremeci. O vento tinha levantado e acordei desse lugar em que não sei se dormia, ou se sonhava acordada.

  

***
2012-11-28 – Entre o vento e o silêncio 
nn(in)metamorphosis



2 comentários:

  1. noktua29/11/12

    Meu Deus, se é importante! Um abraço então, pelos braços certos, faz uma falta danada.......Eu sei do que falo, e se calhar tu também...

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  2. Que belo momento me deste a ler.
    Alguém que nos abraçe sem nada pedir.
    Abraço é o que deixo.

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