Pela
tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda. Sentei-me no chão,
esquecendo que era Outono, mas lembrando que não havia vento. Recostei-me na
parede, cerrei o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada.
Nessa semi-inconsciência, dei conta da importância dos afectos, não como excesso, mas como coisa simples que nos sustenta sem fazer barulho. Alguém que nos dê um abraço apertado, alguém que nos segure a mão e nos deixe ficar, alguém que nos diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos lembre que o mundo pode ser mais leve por instantes.
Alguém que nos salve, nem que seja por momentos, da melancolia, das velhas canções, da nostalgia. Alguém que guarde o que não dizemos, e que nos devolva um sorriso sem pedir nada em troca.
Estremeci. O vento tinha levantado e acordei desse lugar em que não sei se dormia, ou se sonhava acordada.
2012-11-28 – Entre o vento e o silêncio
nn(in)metamorphosis
Meu Deus, se é importante! Um abraço então, pelos braços certos, faz uma falta danada.......Eu sei do que falo, e se calhar tu também...
ResponderEliminarQue belo momento me deste a ler.
ResponderEliminarAlguém que nos abraçe sem nada pedir.
Abraço é o que deixo.