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15/11/2012

Tu - Preâmbulo



Tu - Preâmbulo

 
Quando, inevitavelmente, aqueles dois olhares se cruzam
Há um assombro vestido de sorriso,
Misto de surpresa e compromisso
Há uma mensagem lida nos olhos, biunívoca
E inicia-se o princípio do fim
Quando aqueles dois olhares se fixam
Nada mais existe em redor
O tempo perde o sentido
Os sentidos perdem-se no tempo
E os corpos são apenas olhos
E os olhos são apenas sensações
E as sensações são somente quentes
E o calor emana em linhas direccionadas
Mil mensagens são transmitidas nos dois sentidos
 Sem qualquer som
Até que os olhares se fundem
Nada mais importa, nada mais interessa
A cegueira é absoluta
E quando, finalmente, baixando suavemente a cara
Puxa um sorriso docemente maroto de canto de boca
 Na fracção do pestanejar
 A rendição é inevitável
Sob o signo da lua cheia

 

2012.11.15 vc
Cópia devidamente autorizada

 ***

TU (Preâmbulo)

Sob o signo da lua cheia
bem no princípio do fim
fundem-se olhares e mãos
na premência das ausências

até mesmo as indecências
a cada anoitecer
fundem-se vozes, presenças
pensamentos e desejos
ainda por acontecer

funde-se também a pele
e, esquecendo a lonjura,
a fome feita ternura:
um é pão, o outro é mel

e num fundir tão sentido,
devagar… tão calmamente
o distante ali tão perto
que, sem que deem por isso
desaparece o deserto

e do luar
resta o feitiço


***

2012-11-15 - Tu - Preâmbulo - Desafios vc
nn(in)metamorphosis


1 comentário:

  1. Parabéns a quem se deixa desafiar.
    Sob o signo da lua resta o feitiço.
    Muito bom. Beijo.

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