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10/05/2012

Fragmentado ou a frustração do vitral

 
Fragmentado ou a frustração do vitral
 
Quem sou eu para além da negação do que não fui
Nau que não navega
Porto que não alberga
Rio que não flui
 
Que será de mim?
Semente que não germinou
Terra infértil que não gerou
História mal contada por não ter fim
 
De que serviu existir?
Se apenas expectativas gerei
Obra nenhuma completei
Fugindo da vida sem ter por onde ir
 
Não sei se fui o que quis
Ou o que deixei fazerem de mim
Sei que o que muitas vezes fiz
Não vivi, não senti, não concebi
 
 
 2012.05.10 (vc)
(Cópia integral e devidamente autorizada)
 
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Resposta
 
Sou a parte de um todo
A porção que é feita de nada
Sou aquilo que a uns mete medo
E a outros mais agrada
 
Sou o enigma
Estrada sem rumo traçado
E quando alguém pensa ter-me encontrado
É nesse instante que me evado
 
Sou o pranto da tempestade
O eco fundo do trovão
Sou quem entrega o olhar
Mas recolhe o coração
 
Sou mais do que em mim pressinto
E menos do que em verdade sou
Sou a parte que mais aprende
Por ser a que mais falhou
 
Sou só, apesar da multidão
Faz-me sombra a solidão
Sou de existência verdadeira
Ainda que feita de ilusão

  

***
 2012-05-10 - Fragmentado ou a frustração do vitral 
nn(in)metamorphosis


1 comentário:

  1. Não acredites. Não estás só, ainda que confesses estar "cheia de gente"... quando se forjaram laços de amor, numa cadeia de afectos.
    O meu, humilde e carinhosamente,segue a tua aura. Mesmo que o não sintas, mesmo que o não vejas.
    Abraço-te na solidão do dia que se esconde...

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