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10/12/2012

O mistério do olhar


O mistério do olhar
não mora em quem vê
mas em quem se deixa ficar
cativo
 
e então
no leve enlevo do instante
abrem-se imagens sem dono
 
rostos que não terminam
corpos que dançam dentro da luz
contrastes que sussurram baixo
cheiros que lembram sem nome
pistas soltas no ar
rastos que não querem partir
 
uvas que brilham sem peso
beijos que não pousam
danças suspensas
como se o mundo respirasse devagar
 
e tudo isso
sem saber bem onde começa
 
nem onde se fecha
 
fica apenas o brilho em suspensão
e o que o olhar não consegue fixar



 ***
2012-12-12 - O mistério do olhar
nn(in)metamorphosis


28/11/2012

Entre o vento e o silêncio



Pela tarde, um solinho envergonhado iluminou a minha varanda. Sentei-me no chão, esquecendo que era Outono, mas lembrando que não havia vento. Recostei-me na parede, cerrei o olhar e não sei se adormeci, ou se sonhei acordada.

 Nessa semi-inconsciência, dei conta da importância dos afectos, não como excesso, mas como coisa simples que nos sustenta sem fazer barulho. Alguém que nos dê um abraço apertado, alguém que nos segure a mão e nos deixe ficar, alguém que nos diga silêncios doces ao ouvido, alguém que nos lembre que o mundo pode ser mais leve por instantes.

 Alguém que nos salve, nem que seja por momentos, da melancolia, das velhas canções, da nostalgia. Alguém que guarde o que não dizemos, e que nos devolva um sorriso sem pedir nada em troca.

 Estremeci. O vento tinha levantado e acordei desse lugar em que não sei se dormia, ou se sonhava acordada.

  

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2012-11-28 – Entre o vento e o silêncio 
nn(in)metamorphosis



O que dizem os meus olhos


Hoje acordei assim: interpelativa, objectiva, incapaz de ver no feio o bonito que sempre há, ou deveria haver, ou é suposto haver. Nua de doçura, saí para a rua. Manhã fria, céu nublado: uma combinação catastrófica para mim.

 Tomei coragem e segui direitinha para o café do Zé. Precisava urgentemente de aquecer a alma num café servido em chávena escaldada, porque o café, para mim, é como o amor: se morno, perde a graça.
 
Vivo, ou sobrevivo, num mundo hipócrita, burocrático e de cegueira induzida; a pior de todas, a que não quer ver. Da crise de valores em que mixordamos, prefiro nem lembrar.

Gosto de caminhar sozinha, especialmente quando acordo azeda. Gosto de me sentar numa esplanada com um livro como companhia. Adoro dizer “bom dia” com alegria e um sorriso. Gosto de ajudar quem precisa sem pensar duas vezes, embora também exista muita gentinha mal-agradecida. Gosto de pessoas bem-dispostas, generosas nos afectos, e de respeito quanto baste, daquele que não coíbe uma conversa franca, sem receios de más interpretações, acusações ou outras maçadas.

Abomino a gentinha que enfeita as suas vidas ocas falando das vidas alheias, pelo que acham que sabem, pelo que viram, pelo que têm ou deixam de ter; gente que não sabe o momento em que deve parar, que não sabe onde a terra acaba e o mar começa, ou onde acaba a sua liberdade e começa a minha.

O que dizem os meus olhos?

Dirão sempre o que cada um quiser ver neles. Muitos vão enganar-se, poucos chegarão perto, porque eu sou, por dentro, uma personalidade minha; por fora, um conceito de cada um.


PS: Prometo a mim mesma, aqui eagora, tentar não voltar a acordar ao som do noticiário. É terrivelmente indigesto.

  
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2012-11-28 – O que dizem os meus olhos 
nn(in)metamorphosis


25/11/2012

Sonhar...




Sonhar… sonhar não é perda de tempo, não é insano consumir de vida, nem acto desesperado perdido entre ilusões.
Sonhar é dar luz à vida, é dar sentido ao que importa.
É o sonho que impulsiona, que faz ir mais além, que dá vida à vida.

 

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2012-11-25 – Sonhar 
nn(in)metamorphosis