Tu
- Preâmbulo
Quando,
inevitavelmente, aqueles dois olhares se cruzam
Há
um assombro vestido de sorriso,
Misto
de surpresa e compromisso
Há
uma mensagem lida nos olhos, biunívoca
E
inicia-se o princípio do fim
Quando
aqueles dois olhares se fixam
Nada
mais existe em redor
O
tempo perde o sentido
Os
sentidos perdem-se no tempo
E
os corpos são apenas olhos
E
os olhos são apenas sensações
E
as sensações são somente quentes
E
o calor emana em linhas direccionadas
Mil
mensagens são transmitidas nos dois sentidos
Sem qualquer som
Até que os olhares se fundem
Nada mais importa, nada mais
interessa
A cegueira é absoluta
E quando, finalmente, baixando
suavemente a cara
Puxa um sorriso docemente maroto de
canto de boca
Na fracção do pestanejar
A rendição é inevitável
Sob
o signo da lua cheia
2012.11.15
vc
Cópia
devidamente autorizada
***
TU (Preâmbulo)
Sob o signo da
lua cheia
bem no princípio do fim
fundem-se olhares e mãos
na premência das ausências
até mesmo as
indecências
a cada anoitecer
fundem-se vozes, presenças
pensamentos e desejos
ainda por acontecer
funde-se
também a pele
e, esquecendo a lonjura,
a fome feita ternura:
um é pão, o outro é mel
e num fundir
tão sentido,
devagar… tão calmamente
o distante ali tão perto
que, sem que deem por isso
desaparece o deserto
e do luar
resta o feitiço
***
2012-11-15 - Tu - Preâmbulo - Desafios vc
nn(in)metamorphosis