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26/10/2012

Tu - Parte IV



Tu-Parte IV

Tens o aroma do Jasmim
Quando pingando sais do banho
E te enxugo a pele macia
Tens um cheiro selvagem
Sempre que, despenteada,
Me atacas e dominas
Com um brilho nos olhos
Que transcende o desejo
Tens um cheiro quente de madeira exótica
Quando na cama te enrolas em mim
Suavemente respirando sobre as minhas costas
Afagando-me o peito
Tudo em ti é sensual
Tudo em ti me prende
Assim me tolhes os sentidos

Assim me fazes refém de ti

 

2012.10.24 vc
Cópia integral e autorizada

 ***

TU

Tens o cheiro da terra
Depois da chuva cair
E a calma das árvores
Quando o vento vai dormir

Tens a luz das janelas
Ao cair da tarde fria
E um silêncio tão manso
Que aquece a casa vazia

Tens qualquer coisa de rio
Que corre sem se perder
Levando sonhos antigos
Para longe do sofrer

Tudo em ti é distante
Tudo em ti fica perto
Como o céu sobre os campos
Num caminho descoberto

E há sempre um nome oculto
No som do tempo a passar
Porque tudo o que é simples
Acaba por nos ficar

 

***
2012.10.24 – Tu parte IV 
nn(in)metamorphosis


24/10/2012

Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre




Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre

Por vezes respiro um mar chão
Doutras negras tempestades
De calmas e fúrias me mantenho
Sem sossego progrido
Ah, o cheiro do risco
A tontura da queda iminente
A náusea de fazer bem o que é errado
Entre o clamor e a desgraça
Entre a glória e o esquecimento
Escolho desgraçadamente o esquecimento
E que minha alma mendigue
Por becos imundos
De pensamentos perdidos

 

23.10.2012  vc
Cópia integral e autorizada

 

***
Resposta

 

Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre


Há dias em que o pensamento
fica sem forma nem lugar
e anda dentro da cabeça
como coisa a falhar

O corpo perde alinhamento
sem aviso nem razão
e o real fica distante
como se não tivesse chão

Não é dor, nem é sonho
é queda sem direcção
uma falha no caminho
entre regra e confusão

Chamam-lhe febre ou loucura
não há forma de explicar
a cabeça perde o rumo
e a razão começa a falhar

E tudo fica suspenso
entre o certo e o talvez
como um mundo interrompido
sem princípio nem vez

 

***

2012-10-24 - Princípio da Loucura ou o efeito colateral da febre 
nn(in)metanorphosis


18/10/2012

Corvo


Corvo
 
 Sou das sombras e da luz
De todo o bem e do mal
Do que iniciou o final
Do que diz morrer na cruz
Do perdão, dos pregões
Dos que tentam os sermões
Sou-lhes surdo, estou além
Tudo o que sinto é desdém
De quem me tentou seduzir
Sem jamais o conseguir
Do que faço, do que digo
Do que oiço ao ouvido
Da fúria que me move
Do desprezo que me comove
Assim me visto como sou
Assim me fico, não me dou
E da metade do todo
Sou o excesso, sou o corvo
 
15.10.2012 vc
(Cópia integral e devidamente autorizada)
 
***
Resposta
 
Corvo
 
Sou das sombras e da luz
Do que fica sem nome
Do que não pede razão
Nem se prende ao que consome
 
Sou do silêncio antigo
Do que observa sem pressa
Do que não busca resposta
Nem em nada se confessa
 
Não sigo voz nem caminho
Nem me dou ao que me chama
Sou o que fica sozinho
Quando o mundo se derrama
 
E na sombra permaneço
Sem querer outro lugar
Porque há seres que nascem
Só para ver e calar
 
Sou corvo. E assim fico.

 

 ***

2012-10-18– Corvo - Desafios
nn(in)metamorphosis


15/10/2012

Silêncio




De tão calada até parecerá, que não sinto nada, que não penso nada. Grande o engano. Apenas não encontro palavras à medida do que trago cá dentro. Só o silêncio. Brados e murmúrios são agora inaudíveis. Soam em tempestuoso alvoroço. Intensos, densos… Mas só por dentro.
 

 

***

2012-09-15 – Silêncio
nn(in)metamorphosis


09/10/2012

O meu maior sonho




Já há algum tempo me venho a perguntar… Qual o meu maior sonho?

“Ser feliz” respondo-me sem hesitação… possivelmente a resposta mais elementar e autêntica que espontaneamente me aflui ao pensamento mas, será que é isso mesmo?
Como posso definir felicidade? Como posso reputar um momento de “momento feliz” se tantos outros diferentes podem definir-se do mesmo modo?
Ser feliz, não será apenas um estado de espirito? Um estado que todos nós perseguimos sem sabermos ao certo o que é? Ser feliz, não será o somatório do que temos? Em vez de tudo o que não temos? Não será aqui mesmo que nos enredamos? Ao pensarmos que é o que não temos que nos fará feliz?
Claro que algumas vezes desejo coisas que sei, nunca poderei obter, e nem será por falta de vontade ou empenho mas… porque é cada vez mais difícil, para os que não nasceram já favorecidos pelo nascimento e estatuto e assim nada tiveram que fazer para alcançar.

Vou tomando consciência que, afinal, o meu maior sonho é continuar a sonhar… Num mundo meu, onde não existem dificuldades inultrapassáveis, ou afectos impossíveis. Num mundo, onde tudo é possível aos puros de coração e de mentes inocentes.

O meu maior sonho… É continuar a sonhar… Mesmo quando estou acordada, mesmo quando espero e desejo, que tudo o que desejo, seja possível… Porque feliz já eu sou, com o pouco que tenho.

Falta-me o que não depende só de mim, o que não posso controlar… Mas que não tenho duvida, também me faria muito bem. Aliás… tornar-me-ia a mulher mais feliz do mundo.


***
2012-10-09 - O  Meu Maior Sonho
nn(in)metamorphosis


08/10/2012

Vazio de Palavras


Hoje, mais do que em outros dias, estou fraca nas palavras.
Penso depressa demais para que as mãos acompanhem este turbilhão em que a mente se enreda, um vazio feito de palavras que não chegam.



***
2012-10-08 – Vazio de Palavras 
nn(in)metamorphosis 



22/09/2012

Manhã

Manhã
 
Apetece-me uma manhã
Não uma manhã qualquer
Mas uma manhã perfeita
Com o brilho dos teus olhos
E a brisa morna do teu suspiro
Apetece-me uma manhã sem ti
De modo a ter te só para mim
Nas coisas que vou visitando
Nos lugares que vou guardando
Apetece-me uma manhã sem gente
Sem ruídos, sem paragens
Uma manhã vertiginosamente tranquila
Com nevoeiro, com as tuas sombras
Apeteces-me sempre de manhã
Porque ainda não te escrevi de tarde nem de noite
 
 
2012-09-12 (vc)
(cópia integral e devidamente autorizada)
 
 ***
 
Manhã
 
Apetece-me uma manhã também
mas uma manhã que não se explique
 
Uma manhã que chegue devagar
sem pedir lugar
 
Com o silêncio encostado às coisas
e a luz a cair sem pressa
 
Uma manhã sem gente
não por ausência
mas por espaço
 
Onde o nevoeiro não esconda
apenas envolva
 
E o tempo não se organize
apenas respire
 
Apetece-me uma manhã assim
sem saber onde começa
nem onde termina

  

***
2012-09-22 – Amanhã 
nn(in)metamorphosis


21/09/2012

Tu - Parte III



    Tu-Parte III, ou um pedido expresso
 
  
    Disseste-me: amanhã não venhas
    Não me é possível estar contigo
    Entre dois beijos lançados pelo ar
    E um desejo-te apressado
    E eu não vim
    Tentei reorganizar o dia
    Inventei mil trajectos alternativos
    Mas só me saíram mundos de silêncio
    E ideias ocas de sentido
    Dediquei-me a inverter o sentido ao tempo
    Estraguei o relógio
    Construi aviões de papel
    Propensos ao desastre
    Agarrei um sem número de vezes no telemóvel
    E um sem número de vezes me detive
    Amanhã não venhas, disseste-me
    E hoje não existiu.
 
2012-09-18 (vc)
Cópia integral e autorizada
 
***
 
Da próxima vez
 
Leva-me contigo
Leva-me no pensamento
Preenche o silêncio
que grita aos ouvidos
e pesa no tempo
 
Leva-me contigo
Leva-me no peito
Que fico perdida
entre trajectos inventados
sem destino nem regresso
 
Da próxima vez
leva-me contigo
E se hoje não existiu para ti
que eu exista em ti
como falta

 

 ***
2012-09-19 – Tu parte III 
nn(in)metamorphosis