
Não sou feita de
ausências
Mas, às vezes, esvazio-me
Fico quieta por dentro - não é bem dor, nem é tristeza
É uma imobilidade
estranha
como se algo se apagasse em mim
Não há motivo visível
só um sentir que transborda
sem nome, sem forma, sem aviso
Sinto demais
E quando sinto, tudo
pesa
o tempo, as falhas
as palavras que disse
e, talvez ainda mais
as que escolhi calar
Refletir é tormenta
Pensar demais arrasta
tudo
como um vento forte que varre os cantos da mente
E a ideia de que tudo
depende de mim
não ajuda
é como tentar segurar o céu com as mãos - irreal
Então, obrigo-me
Respiro. Foco no
agora
Agarro o instante com cuidado
com atenção, com medo, mas com força
Não sou tristeza. Sou
excesso
E o excesso, por vezes, também cansa
Mas sigo
Porque mesmo quando transbordo, ainda há poesia
***
2025-08-12 - O eco de sentir demais
Gostei de ler, miss noname.
ResponderEliminarSeja bem aparecida.
Abraço
Obrigada, sô António
EliminarEstou a tentar voltar mais vezes
Abraço