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14/01/2020

Só sei que


Tive a certeza que poderia morrer naqueles olhos castanhos.
... Onde vi o  olhar mais bonito do mundo.


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 2020-01-14
nn(in)metamorphsis


13/01/2020

Hoje sou saudade


Todas nós, meninas, um dia dissemos: quando crescer não quero ser como a minha mãe.
Não fui excepção. O engraçado é que sei, também, que todas nós, meninas, acabamos a fazer e a dizer uma quantidade de coisas que a nossa mãe fazia ou dizia.

Hoje, quando alguém me diz: 
- A tua mãe fazia igualzinho.
- Agora ao dizeres isso, fizeste-me lembrar a tua mãe

 sinto um orgulho enorme, por ser produto esculpido por ti.

Feliz aniversário, mãe 

11/01/2020

Murmúrios


Murmúrios de amor são assim, como os de mar:
vai e vem inebriante
onda calma, paciente
espera, resignada, a hora do tsunami...


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2020-01-11
nn(in)metamorphosis


10/01/2020

Demiurgo



Platónico o amor?

Platónica é a esperança!

O amor é real.




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2020-01-10  
nn(in)metamorphosis 


09/01/2020

...



Reticências são um vício... 
Eu amo-as.

Vibram o suspenso...

O limiar do equilíbrio...

Tensão e voo...

O se...



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2020-01-08 
nn(in)metamorphosis

08/01/2020

Ninfa caprichosa


Aretusa, fugida de Alfeu, fugiu agora de mim deixando-me  sequinha a pena. Por mais voltas que dê, o frio congelou-me as ideias e a folha em branco, em branco continua.

Talvez, não demore a voltar... Se voltar.


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2020-01-08
nn(in)metamorphosis 


04/01/2020

Não há bela sem senão


Agora que a mesa está livre de doces e mais doces, e conversas animadas e lembranças que ora fazem rir, ora trazem nostalgias, e até os foguetes já descansan em paz, está na hora de voltar ao rame rame da vidinha corrida, sofrida, entre transportes e trabalho exigente quase sempre mal pago, e o desalento do almoço de marmita feito com o jantar, confeccionado à pressa, do dia anterior. 

Ainda não fui e já tenho saudade desta pacatez. Desta vossa vida feita devagar, onde se sai meia hora antes de entrar ao trabalho contando com o café no bar do bairro, o carro estacionado, ou saída da moleza do autocarro.

Isto, disse-me ontem a Graciete, depois de se ter despedido dos pais, meus vizinhos, me dar um abraço e partir para a cidade grande.

Eu já vivi numa cidade grande, bastante grande até, mas onde a vida era, também, feita com tempo e qualidade. Nem pensar nas correrias que a Graciete me conta, que se levanta às 5h30 para arranjar os miúdos que o marido há-de levar para a escola a caminho do trabalho, enquanto ela come meio pão ao mesmo tempo que enfia os sapatos, veste o casaco, pega na carteira, para apanhar um autocarro que a levará ao barco que a deixará num outro autocarro que a fará chegar ao metro. 

Só de escrever já estou tonta. 
Isso lá é vida?

Agora que a mesa, está livre dos doces e das conversas animadas, e até os foguetes já descansam em paz, preparo-me para voltar ao meu rame rame, tomar café no bar do bairro, deitar uns minutos de conversa fora e, saltitante, ir trabalhar, almoçar em casa, voltar ao trabalho e pelas 18h e picos, sem pressas, caminhar, aspirando o cair da tarde ou da noite, conforme a estação do ano.

Gosto, mesmo sendo de espírito fervilhante, de viver devagar, de ter tempo para a contemplação, para os cheiros, para pos afectos.

Terá menos glamour, menor agitação, mas eu gosto assim... como tá.

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2020-01-04
nn(in)metamorphosis


01/01/2020

Hipérbato


 E para começar o ano:

Nunca deixes de me dizer qualquer coisa.
Mas nunca me digas uma coisa qualquer.


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2019-09-04
nn(in)metamorphosis 

30/12/2019

Feliz Ano 2020



De repente, num instante fugaz
os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente 
e o ano velho ficou para trás.



  


De repente, num instante fugaz
as taças de espumante cruzam-se e borbulhantes anunciam
que o ano velho se foi e ano novo chegou.



De repente
os olhos cruzam-se, as mãos entrelaçam-se
e os seres humanos
num abraço caloroso, num só pensamento
exprimem um só desejo e uma só aspiração

Paz e Amor


Do outro lado do fogo de artifício, dos gritos e vivas de alegria 
está o que realmente precisamos

mudar o futuro
e não esperar que as mudanças cheguem
porque o futuro chegou.




Um braço apertadinho e sentido
para tu, e tu, e para tu também
noname

Viver


Eu, via apenas uma palavra
Tu, pai, vias uma frase inteira



 E contigo aprendi: que nada é apenas o que se vê.



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2019-12-30 
nn(in)metamorphosis

28/12/2019

Ano Novo - Nova Vida




O frenesim começa um pouco antes do Natal e atinge o clímax na passagem do ano. Neste intervalo encerra-se um ano e alinhava-se o futuro na esperança dum novo projecto de felicidade.

A explosão dá-se naqueles 12 segundos contados em badaladas e passas, atropelando-se desejos com o coração aos saltos, e até uma lágrima fortuita assume o seu lugar na emoção, dum recomeço. Creio, que todos já passamos por isso de maneira mais ou menos intensa.

O fim de um ciclo, sugere sempre um novo ciclo que, supostamente, se inicia com o jogo a zeros. Triste ilusão, um ciclo acaba mas a vida não recomeça, tão só continua...

E sabemos isso.

Então porque se repete ano após ano, esta sensação artificial do novo?

Será porque:
Precisamos de rituais e de referências que nos obriguem a parar a  rotina insana e automática dos dias?

Precisamos que algo ou alguém suspenda o tempo para que possamos reflectir sobre nós ou sobre as pessoas e as coisas que nos importam e sobre o mundo que nos cerca?

Não sei, mas penso que:

Do outro lado do fogo de artifício, dos gritos e vivas de alegria está o que realmente precisamos - mudar o futuro e não esperar que as mudanças cheguem porque o futuro chegou.


*** 
2019-12-28
nn(in)metamorphosis

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Fernando Pessoa: Ano Novo