Quando a cidade se esvazia
fica mais humana
As ruas deixam de correr
os carros calam-se
e há uma janela acesa
a dizer que alguém ficou
É então que reparo
no silêncio das casas
na luz cansada dos prédios
num gato que atravessa a rua
como se a noite fosse sua
Sem a pressa de todos
também eu abrando
E descubro que a cidade
não é feita só de gente
mas dos pequenos sinais
de quem passou por aqui
uma porta entreaberta
um banco molhad,
uma flor esquecida
num parapeito
Quando a cidade se esvazia
fico mais perto de mim
E talvez seja isso
que o silêncio me ensina
que, quando tudo se cala
há sempre qualquer coisa
dentro de nós
a pedir para ser ouvida
***
2026-09-02 – As ruas depois de nós
nn(in)metamorphosis
nn(in)metamorphosis
Sem comentários:
Enviar um comentário
NOTA: Os comentários são moderados
1 - Os usados para publicitar o próprio blog serão eliminados.
2 - Os outros, tão breve quanto possível, serão publicados.
Grata pela compreensão.