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02/09/2026

As ruas depois de nós


 

Quando a cidade se esvazia
fica mais humana
 
As ruas deixam de correr
os carros calam-se
e há uma janela acesa
a dizer que alguém ficou
 
É então que reparo
no silêncio das casas
na luz cansada dos prédios
num gato que atravessa a rua
como se a noite fosse sua
 
Sem a pressa de todos
também eu abrando
 
E descubro que a cidade
não é feita só de gente
mas dos pequenos sinais
de quem passou por aqui
 
uma porta entreaberta
um banco molhad,
uma flor esquecida
num parapeito
 
Quando a cidade se esvazia
fico mais perto de mim
 
E talvez seja isso
que o silêncio me ensina
 
que, quando tudo se cala
há sempre qualquer coisa
dentro de nós
a pedir para ser ouvida

 

***

2026-09-02 – As ruas depois de nós
nn(in)metamorphosis 


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