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03/03/2014

(En)laça-me





O mistério é o mote
A cilada o olhar
O jogo é falso
Mas a contenda real
Aconchego firme e tenso
Golpes de precisão feroz
Linhas fugazes no tabuado
Riscadas pelo salto agulha
Na perfeita simbiose de corpos títeres
Subtis tentáculos de mentes inquietas

 Seria fácil fugir do truque
Não fosse tua
A mão que me venda os olhos... 


 *****   
2014.03.03 
nn(in)metamorphosis

24/02/2014

Desconectei-me






Estou fora do tempo
Estou dentro de mim
Estou à minha procura
É bom estar assim

Melhor ainda

É caminhar

Sem tempo sem horas
Só a observar

E a calma invade

E ficam-me os dias, qual banho de sol

Estava tão séria

Tão certa, tão capaz
Soltei-me
Ando por dentro, ando por aí
Vou até lá
Perdoem a ausência
Não sei se longa
Não sei se fugaz


Desconectei-me
Eu estou comigo

 *****

 2012.02.24 
nn(in)metamorphosis


23/02/2014

Equilibrio




Esvaio-me em gotas emocionais
E numa imensa vontade de reexistir oceano
Inteira, profunda, até me evaporar
Só pelo prazer de recomeçar



         *****
       2014.02.23
nn(in)metamorphosis




18/02/2014

Restolho




O que resta dos sonhos, escondo num bocal desfocado...
Nas mãos vazias, o desencanto... 
As palavras o único refúgio de lucidez


          ***** 
        2014.02.17 
nn(in)metamorphosis 





26/01/2014

Porque me escrevo


Gosto de escrevinhar. E escrevinho pela simples necessidade de tatuar a vida no papel, para me libertar de fantasmas, amaciar tristezas, recuperar momentos, segurar memórias. 
 As palavras
emergem-me
dilaceram-me
mortificam-me
coisam-me
ressuscitam-me


*****
2014.01.26 
nn(in)metamorphosis


25/01/2014

Cantigas ao desafio XXV



Azul de corvo, azul



Tarde tardava na noite
Essa ideia peregrina
De sentir a minha noite
Como se ela fosse minha
De tão ansiar que ela fosse
A noite que queria sozinha
Perdi a noção ao tempo
Larguei mão do sentimento
Nessa noite tão tardia
E em desespero de causa
Rasguei a ideia sombria
Perdi-me nas labaredas
Duma prece doentia
De ter uma noite velada
Que fosse uma noite só minha



           2014.01.24  VC
(Cópia integral e autorizada)


         *****

É só minha, não divido

Na noite que é só minha
ninguém pressentirá o encanto antigo
que ambulará no ar como um perfume
e no tremeluz das velas, e nas vestes negras
com que a minha noite se veste,  um silêncio
que só eu, poderei entender
Na noite que é só minha
liberta enfim de todas as mágoas, todos serão surdos
quem sabe , os teus ouvidos, só eles, ouçam
no silêncio da casa, velando...
uma voz serena,  tão clara e tão longínqua
e mesmo sem saber de onde vem, nem porque vem
talvez só tu… a não esqueças.

     *****
     2014.01.25 
nn(in)metamorphosis