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27/01/2013

Apetece-me




Apetece-me
a ternura docemente
o afago da voz quente
suave, delicadamente
soprado na minha pele
Apetece-me
beija-me os olhos, a boca
desenha com a ponta dos dedos
assim, sem mais receios
o contorno dos meus seios
Apetece-me
deixa que me revele
mesmo que no embaraço
sufocado no abraço
em que te unes a mim
Apetece-me
e olho-te travessa
deixo que o sorrir te enlouqueça
em sonhos de mel e jasmim
Apetece-me

 

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2013-01-27 - Apetece-me 
nn(in)metamorphosis

25/01/2013

Não sei



Não sei como escrevê-lo
Porque não é prosa, não é poema... é um beijo.

 

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2013-01-27 - Não sei 
nn(in)metamorphosis

29/12/2012

Esperança



ANO NOVO
 
 
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
 
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo ! )
 
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
 
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


 
( Mario Quintana )
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998.
 Recebi da: AlwaysElis



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2012-12-29 – Ano Novo
nn(in)metamorphosis



Mais um Ano



O fuso do tempo consome outro ano, como se fosse possível reiniciar a zero o relógio. Mas, na memória, entocam-se desejos que se recusam ao esquecimento, ficam ali, abscônditos, à espreita, a aguardar o incerto, a distração do destino, momento em que é possível transgredir o roteiro e reescrever o enredo antes que a manhã surja. Neste lapso, escapam do diapasão doentio e alcançam a força de um furacão de desafios que não conhecem os senão, os porquês, nem os fins, ignoram as leis, e ficam sonhos eternos.



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2012-12-29 - Mais um Ano
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19/12/2012

Olha





Olha… não me olhes desse modo
como se me soubesses de cor

não tentes ler o que escondo
és oxigénio em descontrolo
eu faísca no fundo

há em ti coisa de quimera
como se viesses de outra estação

e isso encosta-se à espera
e mexe-me com a razão

não me olhes assim… se te olho
fica tudo por acontecer

entre o que recua e o arrojo
sem saber como dizer

num silêncio que não tem nome
nem diz aquilo que consome

fica o resto por nascer

 

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2012-12-19 – Olha
nn(in)metamorphosis



10/12/2012

O mistério do olhar


O mistério do olhar
não mora em quem vê
mas em quem se deixa ficar
cativo
 
e então
no leve enlevo do instante
abrem-se imagens sem dono
 
rostos que não terminam
corpos que dançam dentro da luz
contrastes que sussurram baixo
cheiros que lembram sem nome
pistas soltas no ar
rastos que não querem partir
 
uvas que brilham sem peso
beijos que não pousam
danças suspensas
como se o mundo respirasse devagar
 
e tudo isso
sem saber bem onde começa
 
nem onde se fecha
 
fica apenas o brilho em suspensão
e o que o olhar não consegue fixar



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2012-12-12 - O mistério do olhar
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