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20/01/2013

Cantigas ao desafio XXII




Egoisticamente sincero
half truth is a lie 

 Apetece-me comer a maçã proibida
Roubar o riso alheio
Colher a flor única
Consumir o amor doutrem
Apetecem-me coisas impróprias
Interessa-me pecar
Quero prevaricar
Adulterar
E gozar
Gozar sem me importar
Do que ao alheio possa causar
Não me apetece agradar
A não ser pra roubar
Tudo o que de bom possa agarrar
Sentimentos?
Não quero saber
Estou-me a marimbar
 


                    19.01.2013vc
(Cópia integral e devidamente autorizada)


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 Flagelo ou autocomiseração? 



O desdém, é a máscara da história 
Do homem na pele da serpente 
Indiferente, fere maçãs em vã glória 
O descontentamento se faz presente 
Rumina os cruéis ditames do destino 
Alma presa ao fado que escolheu cantar 
Ira tenebrosa escuridão sem tino 
Vil desterro sem volta de azedo paladar, é
Agridoce o sabor que na vida avulsa 
Muito ódio muito amor, que 
O mesmo que canta a raiva, de 
Raiva canta o prelúdio do amor que em si pulsa

      2012.01.20 
nn(in)metamrphosis

29/12/2012

Esperança




ANO NOVO


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo ! )

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



Recebi da: AlwaysElis

( Mario Quintana )
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998.


Mais um ano



O fuso do tempo consome outro ano, como se fosse possível reiniciar a zero o relógio. Mas, na memória, entocam-se desejos que se recusam ao esquecimento, ficam ali, abscônditos, à espreita, a aguardar o incerto, a distração do destino, momento em que é possível transgredir o roteiro e reescrever o enredo antes que a manhã surja. Neste lapso, escapam do diapasão doentio e alcançam a força de um furacão de desafios que não conhecem os senão, os porquês, nem os fins, ignoram as leis, e ficam sonhos eternos.

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      2012.12.29
nn(in)metamorphosis