Há um silêncio
entre duas margens
um silêncio
fundo, lento
capaz de engolir cada palavra
antes do eco, antes do sentido
Há um minuto suspenso
entre cada gesto
mesmo quando o mesmo compasso
bate dentro do peito
Há uma distância invisível
sobre a pele
mesmo quando o abrigo dos braços
convida ao sono tranquilo
Talvez haja um lugar sem distância
um segundo
inteiro, intacto
um olhar absoluto
onde nenhuma ausência sobreviva
Talvez haja um silêncio perfeito
desses que dizem
tudo
sem pedir voz nem linguagem
tão sereno como
o descanso do entardecer
sobre cabelo iluminado
chamando o calor das mãos
E talvez nem os dedos
alcancem
esse breve milagre de tocar
nn(in)metamorphosis
Um silêncio que descreves de uma forma muito bela... Mas é real.
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