29/04/2023
23/04/2023
25/03/2023
08/03/2023
30/12/2022
21/12/2022
Inverno - 2022
Hoje, dia 21 de Dezembro, pelas 21h 48, ocorre o solstício de inverno, que marca o início da estação, no hemisfério norte. É também hoje que a duração da noite é a mais longa do ano.
Na astronomia, o solstício é o momento em que o Sol atinge a
maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os
solstícios ocorrem duas vezes por ano, em Junho e Dezembro, sendo que o dia e a
hora exactos variam de um ano para outro.
19/12/2022
Natal 2022
Enfeitem a àrvore da vossa vida com alegria e gratidão
Coloquem no coração laços de cetim de todas as cores
09/10/2022
Todos temos
Aquele momento em que ficamos
Entre a primeira impressão
e as segundas intenções…
***
nn-metamorphosis
07/10/2022
Acredita se quiseres
O sonho não é o mesmo que a ilusão
O sonho é sinal de vida
É vida em abundância dentro da alma
***
2022-10-07
nn-metamorphosis
02/10/2022
O tempo que passa
… E deixa marcas na pele e na alma.
… E relativiza tudo o que ficou lá atrás.
Lá, onde tudo passa…
Lá, onde os sonhos doeram…
Lá, onde tudo poderia ter sido diferente…
Lá, onde por vezes perder é ganhar…
Lá, onde tanta coisa que foi importante, já não é…
Lá, onde não desisti quando me pensei insuficiente…
… E traz consigo a maturidade.
Que respira na calma (aquela que tantas vezes me escapa)
Que permite deixar ir o que não faz falta
Que deixa fluir a paz que dá sentido ao caminho
***
nn-metamorphosis
12/09/2022
Chove chuva miudinha
e na minha alma
dia cinzento de assombrosos ventos
que mata a sede à terra
e acalma os nós dos meus pensamentos
***
Chove chuva miudinha
nn-metamorphosis
09/07/2022
Para português ler
D. Mafalda escreveu. Eu li, e gostei. E trouxe para não perder, e para quem quiser, português ou não, ler.
Deliciem-se!
Antes de ir desta para melhor, vou dar com a língua nos dentes e lavar roupa suja. Com a faca e o queijo na mão, com uma perna às costas e de olhos fechados, vou sacudir a água do capote. Ainda tirei o cavalinho da chuva, tentei riscar este assunto do mapa, mas eu sou uma troca-tintas, uma vira casacas e vou voltar à vaca fria. Andava eu a brincar aqui com os meus botões, a chorar sobre o leite derramado, com bicho carpinteiro e macaquinhos na cabeça, quando decidi procurar uma agulha no palheiro. Eu sei, eu não bato bem da bola, mas sentia-me pior que uma lesma e tinha uma pedra no sapato. O problema é que andava a bater com a cabeça nas paredes há algum tempo, com um aperto no coração e uma enorme vontade de arrancar cabelos. Passei muitos dias com cara de caso e com a cabeça nas nuvens como uma barata tonta. Mas eu, que sou armada até aos dentes, arregacei as mangas e procurei o arquivo a eito. Acontece que uma vez em conversa com um amigo ele disse-me «Tiras-me do sério» e eu, sem papas na língua, respondi «Se te tiro do sério, deixo-te a rir, é isso?». Ele, de trombas e com os azeites, gritou em plenos pulmões «Esquece Mafalda, escreves belissimamente mas não conheces nem 1/4 das expressões portuguesas.» Só faltou trepar paredes. É preciso ter lata! O primeiro milho é dos pardais. Primeiro pensei ter posto a pata na poça, depois achei que ele tinha acordado com os pés de fora e que estava a fazer uma tempestade num copo d´água e trinta por uma linha. Fiz vista grossa, mas depressa disse Ó tio! Ó tio! Abri-lhe o coração, o jogo e os olhos na esperança de acertar agulhas e pôr os pontos nos is. Não lhe ia prometer mundos e fundos nem pregar uma peta, eu estava mesmo a brincar. Era um trocadilho. Pão, pão, queijo, queijo. Rebeubéu, pardais ao ninho, fiquei com os pés para a cova, só me apeteceu pendurar as botas e mandá-lo pentear macacos, dar uma volta ao bilhar grande ou chatear o Camões. Que balde de água fria! Caraças, levei a peito, aquela resposta era tão sem pés nem cabeça que fui aos arames. Eu sei que dou muitas calinadas, meto os pés pelas mãos e faço tudo à balda. Posso até ser uma cabeça de alho chocho e andar sempre com a cabeça nas nuvens mas não ia meter o rabo entre as pernas nem que a vaca tossisse. Pus a cabeça em água e fiquei a pensar na morte da bezerra. Caí das nuvens e com paninhos quentes passei a conversa a pente fino, não fosse bater as botas. Percebi que ele tinha trocado alhos por bugalhos, apeteceu-me cortar-lhe as vazas, mas estava de mãos atadas e baixei a bola. Engoli o sapo, agarrei com unhas e dentes, dei o braço a torcer e dei-lhe troco com o intuito de descalçar a bota. Não gosto muito do vira o disco e toca o mesmo, mas isto já são muitos anos a virar frangos e pus as barbas de molho. Uma mão lava à outra e as duas lavam as orelhas, mas ele está-se nas tintas, à sombra da bananeira. Não deu uma mãozinha nem deixou-se comprar gato por lebre. Ficou com a pulga atrás da orelha, pôs-se a pau antes de estar feito ao bife. Pus mãos à obra, tentei fazer um negócio da China e bati na mesma tecla. Dados lançados, cartas na mesa, coisas do arco da velha. Claro que dei com o nariz na porta, o gato comeu-lhe e língua e saiu com pés de lã. Água pela barba! Devia aproveitar a boleia antes de ficar para tia de pedra e cal onde Judas perdeu as botas. É que isto pode estar giro e estar fixe, mas não me apetece segurar a vela com dor de corno e dor de cotovelo só porque não conheço 1/4 das expressões portuguesas.
Mafalda Saraiva
23/05/2022
Acorda
como se um véu tapasse o sol
que queria quente
Queria a luz que a aquecia
e a energia que transparecia dos raios empoeirados
que os sonhos lhe deixaram
Aquele era o tempo dos mundos parados…
E também ela parada
só a custo entendia que estava viva
na fronteira do vazio da alma
Rolou o cigarro e expirou o fumo
como se quisesse deitar fora
toda a mágoa que lhe apertava o peito
Queria voltar a adormecer...
***
Acorda
nn-metamorphosis
Sem eira nem beira
«Sem eira nem beira»
é um dito popular antigo que encerra um pensamento moral. Deste adágio ressalta a eira, localizada nas proximidades dos lugares do mundo rural, que era e ainda é um local ao ar livre, de terra batida ou lajeada. Aqui se estendiam para secar os cereais (trigo, milho, centeio, etc.) e legumes, a fim de serem malhados, debulhados e limpos no mês de Agosto, ou seja, no «tempo da eira». A eirada correspondia a uma porção de cereais que se debulhavam por uma só vez na eira, para depois serem aproveitados para o consumo. Era sinal de alguma prosperidade. Quem era pobre não tinha eira, nem um pedaço dela, nem mesmo sua beira. Daqui resultou a rima popular, em jeito de menosprezo: miserável é aquele que vive «sem eira nem beira», ou «sem eira nem beira, nem pé (ramo) de figueira». Ou, ainda, em tom satírico e jocoso para com um vizinho: «"Valha-te a eira má", que não tenhas pão na eira, e que morras de fome»!
O adágio também podia ter outra explicação popular, referente aos beirais dos telhados das antigas habitações e afins. Dizia-se que as famílias com menos posses tinham uma telha (eira), os remediados tinham duas (beira) camadas de telhas. E os mais abastados tinham na cobertura das casas três camadas de telha, eira, beira e tribeira, respectivamente, de cima para baixo. Daí o dito popular «se o sujeito não tem eira, nem beira, quer dizer que ele não tem recursos, é pobre».
Esta tipologia dos beirados foi levada pelos portugueses, no século XIX, senão antes, para o Brasil.
Em Portugal e no Brasil, ainda podemos observar algumas casas, [ver, por exemplo, as imagens de um edifício setecentista, sito na Sobreda (concelho de Almada); da colecção de Alexandre Flores], que conservam os dois beirados, próximos dos telhados. Outras, na maioria, só com um beirado. As que tinham os dois significavam que a família que residia naquela casa tinha eira (poder) e beira (posses). Nas casas só com um beirado então só tinham eira e não tinha beira. E nas casas que não tivessem nada não tinham «nem eira nem beira».
'Fonte
Estudo e recolha do historiador e bibliotecário-arquivista Alexandre M. Flores, publicado em 10/01/2020 na sua própria página de Facebook. Manteve-se a norma ortográfica do original, a qual é anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.'
***




