NÃO!

NÃO!

21/11/2017

És mau feitio

Domingo, descanso, descompromisso, com maquilhagem,
com saltos, com roupas. Um fato de treino, umas sapatilhas, confortáveis, um livro, uma cavaqueira leve e divertida, se possível.
Toca o telefone. Atendo.
- Estou
- Ai que bom, estás em casa, vem comigo, preciso de ir aquela loja, quero a tua opinião.
- Ó pá, a sério? Vais para as lojas ao domingo?
- É uma urgência, tenho um evento amanhã. Vá lá, não sejas cortes, vai comigo.
- Está bem, mas não é para demorar. Vou ter contigo, ou passas por aqui?
-Eu já estou a caminho de tua casa, desce.
- Agarrei, na malita de alça à tiracolo, a de ir ás compras, a que me deixa as mãos livres e liga bem com o fato de treino e sapatilhas. Desço. O toque de uma buzina, uma mão no ar que se agita, um estou aqui (sou míope :-))
Só tu me tirarias do meu descanso, disparo, enquanto entro no carro. Como resposta, um sorriso largo, daqueles que só quem nos quer bem, sabe dar.
- Desculpa miga, mas é mesmo uma urgência, o Paulo só agora me disse, e por via disso, já me irritei com ele.
Depois de estacionar o carro, lá seguimos para a loja, e a minha amiga, começa, de imediato, a procurar o que tem na ideia. Enquanto isso, eu, vou pondo um olho aqui e ali, um toque num tecido, um olhar mais atento a um pormenor, quando uma voz, atrás de mim, vinda do nada, me diz:
- A senhora não quer acompanhar-me ao outro lado da loja? por lá, encontrará, com certeza, algo que lhe agrade a um preço que lhe será mais adequado.  
- Desculpe?! Não percebi o que disse - e a menina, na casa dos 18 - 20 anos, quando tanto, dentro da sua farda negra, composta por calça, uma camisa alva e  pullover sem manga com monograma da loja, bordado, repete, palavra por palavra, o que eu tinha ouvido, mas não tinha acreditado poder ouvir.
Recompus-me o mais rápido possível, e perguntei-lhe: O que a faz pensar que estou no lugar errado, da loja? Olhou-me de cima para baixo, enquanto um sorriso de desdém lhe bailava na boca.  
- Ora, minha senhora, basta olhar, para o modo como se veste.  
- A sério? Pelo modo como me visto, consegue ver a minha disponibilidade financeira? Nem põe a hipótese de eu ter, simplesmente, mau gosto? 
- Ah, não, são muitos anos disto.
- Muitos anos disto! Bom, sendo assim, vou render-me à sua apreciação mas, não sem antes, lhe pedir que me acompanhe, até ao gerente de loja. Um rubor imediato, lhe pintou o rosto, a voz, agora nervosa, balbucia...
- gerente? para quê a gerente? 
Ora, minha querida, os meus muitos anos disto, dizem-me que, assuntos sérios, se tratam com quem os pode resolver. Vamos?


Pois... Serei. 
Serei, mau feitio. Mas nunca, de modo gratuito, só porque sim.

O meu mau feitio, tem a exacta medida, da falta de respeito, de educação e civilidade que tiverem para comigo. E venha de quem vier, ouvirá o que não gosta, se disser o que quiser.


*****
2017-11-21
nn(in)metamorphosis 


12 comentários:

  1. Querida nonamiga

    Aplaudo!!!!!

    Qjs do Leãozão

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    1. A luva de pelica, ainda é o melhor remédio :-)

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  2. Nem mais!! Estas miúdas fúteis, acham que o hábito é que faz o monge, fazer o quê?...dar-lhes nas ventas...ora essa!!ehehehehe
    também eu gosto de sapatilhas, já fato de treino, nem tanto...mas roupa confortável; sempre!!

    Beijocas NN.

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    1. Lamento, que me tenha obrigado a tomar uma atitude tão drástica, mas o comportamento da miúda, foi deplorável. Pergunto-me se voltar aquela loja, se a vou encontrar. A gerente ficou pregada no chão, só pedia desculpas, vezes sem conta.

      Beijocas tantas

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  3. Incrível como se julga tão fácilmente pela aparência... se essa me visse ir á loja da minha rua de pantufas ou fato de ciclismo, nem sei, chamava o homem do canil municipal...
    mas respondeste muito bem, quem me dera um dia dar uma resposta assim quando me sinto descriminada
    Jinhos Non

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    1. Minha querida, por mim, ou por alguma pessoa que eu visse naquela situação, aquela miúda poderia ficar sem esmola, mas sem resposta, nem pó. Fazer de conta, seria o mesmo que eu própria me descriminasse. na nanim na não :-)

      Jocas

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  4. Respostas
    1. Havias de ver, o ar triunfante com que me repetiu aquilo. Talvez esperasse, que eu me desculpasse e saísse da loja, envergonhada, vexada. Saiu-se mal. A filhota de meu pai, não leva desaforo pra casa.

      :-)

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  5. Espero que tenha aprendido a lição! Incrível, a arrogância!

    Beijinhos, noname :)

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    1. Não sei se aprendeu. Nem sei se ainda conserva o emprego. Fiz questão de usar o livro de reclamações. Para além disso, a gerente, estava incomodadíssima com a situação. Mas, e embora aquela loja, não seja a minha loja de eleição, (veste pra festas ou senhoras de dedos gordinhos cravejados de aneis) quando precisar de lá ir, irei. Não é uma gaiata mal educada que me diz onde posso entrar.

      Beijinho Maria TU

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  6. :))
    Boa, Noname!

    Um abraço :)

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    1. Preferia, não ter sido necessário AC. Acredite.

      Abraço

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