18/03/2016

Sem tempo p’ra voltar



Somente ir…
Num golpe d’asa voar

Chegar de madrugada
para ver o sol raiar
gritar ao vento
à baía e ao mar

Ver kindas e kintandeiras
de pano garrido
sem bainha
colocado a preceito
que esconde e sobressai
corpo de ébano
rainha

Nas trancinhas  
búzios- continhas
qual jóias alinhadinhas

Na voz clara
soa a África
a quissange e a tambor
um rimado apregoar
de tão gostoso sabor

Tem jinguba e maracujá
Tem carambola e cará
Batata doce docinha
Tem chá capim bem verdinho
Tem fuba tem mandioca
Tem banana e fruta pinha
Tem caju e tem maboka

E quando a kinda
vazia
volta ao kimbo
a alegria
que leva a kintandeira

E parto

 Rumo ao pôr do sol
que se vai banhar na ilha

Vou jantar
aos pezinhos n' água
olhando o horizonte
vendo a noite chegar

Que maravilha

E nos dias a seguir
vou por aqui e ali

caminhando sem destino
para as saudades matar
e duma vez arrancar
este apego desmedido

que me mata o coração
numa dor 
já sem sentido

*****
 2016-03-18 
nn(in)metamorphosis


2 comentários:

  1. Muito Obrigada pelo mimo que adorei. Fiquei baralhada. Noname é Lili Laranjo? A Lili de coração africano, de quem tenho um livro de poemas, e que está na galeria de A mulher e a poesia?
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não Elvira, não sou. Sou apenas uma noname saudosa, que ás vezes escrevinha, nada mais que isso.

      Beijinho

      Eliminar