Manhã cedo, olha o quebrar da onda, pelo
meio da neblina. Tira as sandálias, e dá o primeiro passo no areal. Sente nos
pés um friozinho que lhe sobe à espinha, e a arrepia num prazer, enganoso, de
liberdade. Inspira, demoradamente, e o cheiro a mar, e a iodo, inebria-a. O mar
lava tudo, incluindo a alma e as saudades de outro mar e outras marés que,
estão para lá da linha recta que é curva e a que chamam horizonte. Desaparece
na densidade da neblina. Os gatos continuam pardos.
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2016-09-06
nn(in)metamorphosis