NÃO!

NÃO!

18/03/2016

Sem tempo p’ra voltar



Somente ir…
Num golpe d’asa voar

Chegar de madrugada
para ver o sol raiar
gritar ao vento
à baía e ao mar

Ver kindas e kintandeiras
de pano garrido
sem bainha
colocado a preceito
que esconde e sobressai
corpo de ébano
rainha

Nas trancinhas  
búzios- continhas
qual jóias alinhadinhas

Na voz clara
soa a África
a quissange e a tambor
um rimado apregoar
de tão gostoso sabor

Tem jinguba e maracujá
Tem carambola e cará
Batata doce docinha
Tem chá capim bem verdinho
Tem fuba tem mandioca
Tem banana e fruta pinha
Tem caju e tem maboka

E quando a kinda
vazia
volta ao kimbo
a alegria
que leva a kintandeira

E parto

 Rumo ao pôr do sol
que se vai banhar na ilha

Vou jantar
aos pezinhos n' água
olhando o horizonte
vendo a noite chegar

Que maravilha

E nos dias a seguir
vou por aqui e ali

caminhando sem destino
para as saudades matar
e duma vez arrancar
este apego desmedido

que me mata o coração
numa dor 
já sem sentido

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 2016-03-18 
nn(in)metamorphosis



14/03/2016

Sol de pouca dura



Ainda há pouco era andorinha, agitada, a romper espaços apertados, por entre os beirais…  Mas já não sou. Acabo de ouvir que amanhã chove de novo.


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2016-03-14  
nn(in)metamorphosis



13/03/2016

Um dia destes



Qualquer dia
Vou falar-te do sol
desse que emana do teu sorriso e me aquece a vida
E do teu olhar
esse que ilumina os meus dias cinzentos
E até das tuas mãos
essas que acariciam as minhas tempestades
Esta noite, porém
só quero contar-te uma história e ver-te sonhar


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2016-03-13 
nn(in)metamorphosis