É 1 de Dezembro É Inverno Faz frio, mas no ar, anda já um calor que só se sente, neste mês, nesta época, e que muitas vezes, faz de Janeiro, um mês longo e gélido. O calor do subsídio de Natal, dos que o têm, dos que o receberam, aquece já as ruas, engalanadas de mil lâmpadas, que se adivinham, uma alegria morna, na noite, e pelas músicas que trespassam as portas das lojas, num convite, que só o olhar entende, nas montras das vaidades e necessidades. E neste calor, que exala de homens, mulheres e crianças, de ar feliz, e que andam num virote, devagar, apressados, ou a trote, transportando os presentes enlaçados e ensacados a rigor, comprados com tempo, escolhidos pelos presenteados, que na noite de Natal, farão um ar de completa surpresa e contentamento. Nada contra, embora Dezembro, seja para mim, um mês de muito más recordações , e já não me ilumine, nem o olhar, nem o coração. O que me incomoda, é o outro lado. Aquele lado das pessoas que, não receberam subsídio de Natal, nem o vão receber. Uns porque lho foram pagando a conta gotas e se diluiu numa já parca reforma, outros porque nem emprego têm, e o subsídio de desemprego há muito se foi. Todavia, para estes homens, mulheres e suas crianças, Dezembro também lembra festa, presentes, uma ceia em família e... Não seja um familiar, um amigo, que ainda consiga ajudá-los, vão ter, apenas, um mês mais frio, uma noite mais triste. É Dezembro É Inverno E estará sempre frio, até que uma única alma, o tenha que atravessar só, sem aconchego, sem uma sopa quente.
... muito para lá, do que se diz, está o que se sente e não encontra palavras para ser dito. É emoção crescente, vira nome, vira gente, mas só na mente, ali, onde as palavras são mudas, o olhar perdido, e o gesto acarinha o vazio. Sabias? ***** 2015-11-24 nn(in)metamorphosis