NÃO!

NÃO!

15/09/2015

Do provecto desalento



É no seu pranto que mergulha a alegria
No silêncio do seu canto, luz de outrora
Descrente de uma louca fantasia
Que como um lobo esfaimado a devora
Fez da pele um retalho de agonia

Abandonada pelo sonho, luz ausente
No seu grito emudeceu a melodia
E do sangue se fez lodo sem corrente
Quem a salva desta podre decadência
Ser ou ente que intervenha, até a morte

Nem orgulho já lhe resta, só demência
Entrega a alma ao devir ou mesmo à sorte
Mira em volta, num torpor embaciado
No degredo do deserto em que desmaia
Por desprezo do seu próprio desalento
Quase cega, resta um sopro desfigurado

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2006-09-15
nn(in)metamorphosis

13/09/2015

Cantigas ao desafio XXVIII



Hoje até é um bom dia
para perceber se isto é mesmo isto,
ou se isto é aquilo.
E se isto for mesmo isto,
bom mesmo,
era isto ser aquilo,
para não ter que passar por isto.

E, posto isto,
vá-se lá entender isto,
que está mais que visto
que não é aquilo
e é mesmo isto!

Raios-parta Isto!

(Cópia integral e autorizada)
  
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E se aquilo
Que se quer isto
Não for mais do que um misto
D’isto e daquilo?

Lá se perde o equilíbrio
No meio da confusão
E o dia para analisar isto
Já nem se sabe se é bom

Raios partam 
Isto e aquilo
ou será aquilo e isto?

Ai!!! Que já se me deu um nó
Até sinto algo esquisito
Ai jesus, será um quisto?
  

2015.09-07
nn(in)metamorphosis


Um prazer novo


Talvez pelo feitio, que o tempo foi lapidando, tornando-o mais refinado, menos impulsivo, quiçá também, menos puro, menos espontâneo.
Talvez pela idade. Talvez pela circunstância da globalização dos problemas. 
Talvez por isto. Talvez por aquilo. Talvez por tudo junto. 
A verdade, é que seja qual for a causa, ou causas, cada vez mais, preciso deste prazer novo, gozado em períodos curtos, ou longos, mas que a não existirem, me condenam a uma asfixia dolorosa.
Preciso, de me rodear de silêncio.
Preciso, de um silêncio, que o único (re)corte que suporta, é um som musical de fundo, para que afunde, ainda mais ,o silêncio de que preciso.

Silêncio, que não é solidão, mas mera satisfação, de estar, eu, comigo.



 

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 2015-09-13
nn(in)metamorphosis