Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?
Da voz que estende a mão pedindo pão
do olhar que grita suplicando atenção
da cabeça baixa em desolação
desses humanos farrapos da civilização
Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?
Dos vultos ocultos pela noite que esconde
a dor das lágrimas silenciosas
o desespero das mãos vazias
o abraço que guarda o nada
o uivo dum estômago vazio
Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?
Para além do que o olhar nos permite
na azáfama, na correria do que dizemos ser vida
da vida desses anónimos
que hoje nos são antónimos
e amanhã ser-nos sinónimos
Que sei eu?
Que sabes tu?
Que sabemos nós?
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2015-05-07
nn(in)metamorphosisd
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2015-05-07
nn(in)metamorphosisd
