NÃO!

NÃO!

23/02/2015

Cantigas ao Desafio XXVII



Transparências

De vez em quando apetece passar limites.
De vez em quando o proibido é o intratável.
De vez em quando fazem-se coisas destas.
De vez em quando dizemos que sim.
De vez em quando apetece sair sem rumo.
De vez em quando procuramos quem nos oiça.
De vez em quando dizemos muitos disparates.
De vez em quando gritamos com quem não devemos.
De vez em quando somos transparentes.
De vez em quando, quando partir serei eu.
Porque deixei eu isto aqui...

HHoje
 (cópia devidamente autorizada)

***

Carrossel

  Os anos degraus
a vida a escada
curta ou comprida
sejam bons ou maus
não nos cabe medi-la
  Degraus de alegria
de sonhos e ideais
donos do mundo
a vida é magia
os sonhos reais
  Degraus sombrios
de malfadados ais
ruelas escuras
de quilhas e mastros
nas mãos de vendavais
  A chorar e a rir
em ansiosa ascensão
a descida essa é certa
não adianta fugir
à humana condição
  E na minha crença
dou comigo a pensar
tanta briga, tanta desavença
pra no fim da escada encontrar
uma porta fechada
e mais nada!

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nn(in)metamorphosis



31/01/2015

Do ser… ou não poder ser




Carreguei no botão do PC, que respirou soltando aquele pip com que diz , aí vou eu. Não sabia o que ia fazer e por onde começar. Na verdade, não me apetecia começar nem acabar nada. Como sempre, findo o Verão, a letargia toma-me o pulso e quando o Inverno se instala, o ritmo cardíaco baixa drasticamente, e surge um cansaço de tudo e de nada. Hoje, por exemplo, não me apetecendo nada, apetecia-me ser:

Som de música, olhos de certezas, dona do tempo, 2pontos parágrafo travessão de uma história, traço firme de uma imagem, valsa de Strauss, bolero de Ravel, decididamente, apetecia-me ser tudo aquilo que não posso ser.


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2015.01.031
nn(in)metamorphosis 

23/01/2015

Cantigas ao Desafio XXVI



Rodeada de folhas
Que soltas deixam cair palavras
Tento apanhá-las
e vislumbro algumas de relance;

Andar
Dar
Continuar

Mas que falta de ar!
Reanimar folhas que perdem palavras
É tarefa árdua e leviana talvez
Mas que insensatez!

Vou deixar que voltem ao seu contexto.
Mas que pretexto para escrever um texto! 

2015-01.22 - HHoje 
(Cópia integral e autorizada)


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Rodeada de folhas

Com tretas e letras
Umas coloridas outras pretas

Em folhas impressas de jornal
Nele se anuncia a vida e também o funeral

Em letra miúda, anuncia o agiota
Diz-se honesto, mas sabemos, faz batota

E o cavalheiro de 70 - Quer menina de 40
Pra relação séria, acrescenta

E a cocote pouco vestida
Diz que cobra pouco, pelas caricias, atrevida

Politiquices em parangonas
E vip’s  e matronas

Assassinos e ladrões
A monte, em preventiva, aos montões

A banca que cai do banco
Depositantes que vêm a vida a ir pelo barranco

Mais um conto do vigário
E mais pobre um sexagenário

Um derby com pouco desportivismo
De futebol? Não era de pugilismo?

"Mas que falta de ar!
Reanimar folhas que perdem palavras
É tarefa árdua e leviana talvez
Mas que insensatez!"

Vou ali e já venho
Que para continuar me falta já o engenho

2015.01.23
nn(in)metamorphosis