NÃO!

NÃO!

09/06/2014

Do tempo...





Tempinho irritante, este. Um dia morno, nublado, chuviscado, com um sol envergonhado que espreita, quando pode, e o vento que me despenteia o cabelo e a paciência.

Está bem, é verdade: Gosto de chuvas de Verão, mesmo tendo pavor das trovoadas. Gosto do cheiro a terra molhada, mesmo tremendo, com a imagem dos rios de lama, que podem levar todos os sonhos por sonhar. Gosto de musicais antigos, onde o galã diz, a cantar à chuva, que é feliz, mesmo que a acção esteja completamente à margem da realidade mas… o que eu gosto, gosto mesmo, é de um sol amarelo, brilhante, num céu azul, iluminando um mar chão. E gosto, tanto, quando o meu sorriso tropeça num outro sorriso, que sorri para mim, assim do nada, só porque sim.

Tempinho irritante, este…



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        2014.06.09
 nn(in)metamorphosis 










06/06/2014

Quando a luz faz doer





Nos dias em que a luz faz doer
Parto as lâmpadas, com a vara de abrir as janelas altas
Deito fora, velas, lamparinas, candeeiro a petróleo e os próprios fósforos
Dissolvo-me na escuridão
E só me denunciam
Os passos, indecisos, inseguros, aos tropeços
Os braços, que se projectam e afastam o nada, esse medo maior
As narinas, que se dilatam provando o ar
As pupilas, que mordem o escuro
Aninho-me, no abraço do negro breu



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         2014.06.06 
nn(in)metamorphosis 




05/06/2014

Amargos de boca





Entro, dirijo-me ao balcão e peço: 2 Bombons por favor
O empregado, já idoso, levanta os olhos do tabuleiro em que dispunha fileirinhas de pequenos doces, de chocolate branco, com precisão de mestre e pergunta-me num tom de cuidado:
- Está com falta de açúcar no sangue?
Não! Respondo no mesmo tom
Estou com falta de açúcar na voz

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       2014.06.05 
nn(in)metanorphosis