NÃO!

NÃO!

06/06/2014

Quando a luz faz doer





Nos dias em que a luz faz doer
Parto as lâmpadas, com a vara de abrir as janelas altas
Deito fora, velas, lamparinas, candeeiro a petróleo e os próprios fósforos
Dissolvo-me na escuridão
E só me denunciam
Os passos, indecisos, inseguros, aos tropeços
Os braços, que se projectam e afastam o nada, esse medo maior
As narinas, que se dilatam provando o ar
As pupilas, que mordem o escuro
Aninho-me, no abraço do negro breu



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         2014.06.06 
nn(in)metamorphosis 




05/06/2014

Amargos de boca





Entro, dirijo-me ao balcão e peço: 2 Bombons por favor
O empregado, já idoso, levanta os olhos do tabuleiro em que dispunha fileirinhas de pequenos doces, de chocolate branco, com precisão de mestre e pergunta-me num tom de cuidado:
- Está com falta de açúcar no sangue?
Não! Respondo no mesmo tom
Estou com falta de açúcar na voz

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       2014.06.05 
nn(in)metanorphosis


03/06/2014

Dos silêncios


Com que rimam os meus silêncios?


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        03.06.2014
nn(in)metamorphosis