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31/12/2009

Tenho dias...


Tenho dias coloridos e dias sem cor
 
Dias cinzentos, de chuva, de tristeza
e outros de sol, de música, de muita alegria
Em alguns, sou voo livre
Noutros, perco as asas do sonho
 
Dias em que me sinto bonita
e outros um quase nada
Em alguns, sou poema, inteira, apaixonada, plena
Noutros, apenas uma estrofe fora do lugar
 
Dias que parecem não ter fim
e outros que passam sem que eu dê por eles
Uns de altos e baixos, excessos e falhas
Noutros, de calma, silêncio e esperança
 
Dias em que sinto muito
e outros, que nem sei bem o que sinto

De todos
guardo ensinamentos
que gostaria de eternizar


***
 2009-12-31 - Tenho dias...
nn(in)metamorphosis


02/12/2009

Teimosamente





A vida teimosa
mantém-me viva
mesmo quando morro
aos poucos
 
apática, sinto-me
a ficar e a partir
ao mesmo tempo
 
a mente sabe
mas o corpo demora
a lembrar-se
que é preciso continuar
Ficar de pé
seguir o horizonte
 
E quando um primeiro passo surgir
sem alarde
e a jornada começar
sob o sol que nasce e se põe
 que nem os mosquitos
me roubem o silêncio
nem o tempo apague
os motivos que me feriram
 
**
*
2009-12-02 – Teimosamente 
nn(in)metamorphosis


18/11/2009

Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA



A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos: olhares, vivências, recordações, saudade.
 
Momentos que registo em papelinhos escritos e aos quais, a cada dia que passa, dou mais valor.
 
Para os guardar, tenho duas caixas: uma grande e, por vezes, curta, a que chamo “memória”, e outra, mais pequena mas não menos importante, a que chamo “coração”.
 
Na maior, eu guardo as decepções, as quedas que fui dando pela vida fora, os olhares e as palavras vãs… sui generis esta caixa: por mais maus momentos que lá guarde, nunca os encontro todos quando seria preciso. Tem compartimentos vários e diversos modos de arquivo. Há papelinhos quase imperceptíveis, outros onde palavras e até frases inteiras estão apagadas, levadas pelo tempo, a que vou chamar “esquecimento”…

 Mas, 
porque se desvanecem?

Mesmo sendo maus, e talvez por o serem, esses momentos deviam manter-se vivos e legíveis, para nos deixar em alerta. Mas não, uma e outra vez, o “esquecimento” permite que venha mais um desses momentos que ninguém pede, deixando no início muita amargura, muita revolta, e, ao fim de algum tempo, uma melancolia, ou mesmo uma aceitação apaziguada que, quando lembrada, faz reviver o momento, faz cair uma lágrima.

Outros papelinhos ficam, com escrita indelével, e perduram no meu coração, fazendo de mim o que sou…
E juntos, fazem o que eu chamo de momentos de felicidade, porque felicidade, em si e num todo, não acredito que haja.
 
Olhares, palavras, vivências, recordações e saudade.
 Guardo-os na pequena caixa, que abro, olho, mexo e remexo sempre que preciso encontrar o meu sorriso, para continuar o meu caminho, a minha vida…

Tenho-a neste momento aberta
qual escancarada janela
Preciso levantar-me, erguer a cabeça e andar
Preciso do meu sorriso, nela encontrar


***
 2009-11-05- Sou incapaz de sentir com letra MINÚSCULA
nn(in)metamorphosis


17/11/2009

O resto? o resto o tempo fará...






Tenho andado um bocadinho, tristonha, apática, quase letárgica, fico assim, sempre que a vida me maltrata… vida? Não!... Não é a vida, são mesmo as pessoas… mas, nada de preocupante, é temporário, tem sido sempre assim e desta vez não será diferente, eu volto a levantar-me.

Para que consigamos, ser timoneiros de nossas próprias vidas, é necessário ir fazendo pequenas paragens, para arrumarmos a embarcação. Primeiro, desfazermo-nos do que nos é nefasto, depois… do que não nos faz falta nem contribui para que a viagem seja agradável, arrumar no lugar certo, o que mesmo não sendo preciso, a toda a hora, sabemos estar lá (é de importância vital sabermos isso) e por fim, dar lugar de destaque, ao que nos é absolutamente imprescindível, para continuarmos a ser viajantes, neste barquinho, que somos cada um de nós, neste mar imenso que são as relações humanas no seu todo.

Está a chegar o momento, já o sinto, de olhar uma última vez para os acontecimentos, e já consciente após a paulada, escrevê-los num papel e colocá-los na caixa grande.

O resto? o resto o tempo fará...

Tempo… o tempo tem culpa de muita coisa, e aqui, também é culpado, está cinzento, e acinzenta-me… preciso de algum tempinho, para ir buscar a fatiota amarela de sol e com ela vestir o espírito. Assim que a encontre, encontrarei também vontade e força, agora que levantada estou, para erguer a cabeça e seguir mar adentro, nesta minha viagem.


***
2009-11-03 - O resto? o resto o tempo fará...
nn(in)metamorphosis



01/11/2009

Ironia...



Ironia
é sermos ausência... na nossa presença

é ouvirem-nos, mas... não nos escutarem

é olharem-nos, mas... não nos verem

é o crescer da raiva... no ser em agonia

no mundo do parecer...
é urgente... atitudes ter

mais que prosa, mais que poesia


***
2009-10-30 -  Ironia
nn(in)metamorphosis




15/10/2009

Mãos cheias de nada



Na procura do esquecido,
mas sem ter o que lembrar,
com mãos cheias de nada
pensamento cheio de tudo
passos dados, agora sem onde
cabe olhar, sorrir, caminhar
Na procura do esquecido,
mas sem ter o que lembrar,
meio a medo,
descobrir
que sempre lá esteve,
escondido
com vergonha de se mostrar…
e se descoberto um tantinho
cabe pois, aprofundar
com mãos cheias de carinho
pensamento cheio de vontades
e desejo no olhar…


***
2009-10-15 - Mãos cheias de nada
nn(in)metamorphosis


12/10/2009

Enfim... de novo juntos



Cumpri a promessa feita há 19 anos, a de vos reunir na única que vos separou... a morte. Embora vos tenha perdido aos 2, em apenas um ano, só hoje o pude fazer.

Tal como diz a lápide, ninguém jamais separa o que o amor uniu.

Estão agora, de novo, juntos…
Um beijo saudoso e do tamanho do mundo desta vossa filha


Esta noite sonhei contigo




Esta noite sonhei contigo
Nunca te vi o rosto, apenas a tua mão segurando a minha mas, sabia que eras tu... e sabes, os momentos sonhados não eram tão velhos assim, mas a minha imagem era a de criança ainda de rabo de cavalo bem louro.
Andamos pela nossa cidade e tu levaste-me ao Majestic e eu vi os meus olhos brilharem de contentamento diante daquela torrada bem lourinha com muita manteiga como eu gostava…gosto? Já nem sei…
Tanta coisa se passou na minha vida, tantas e algumas tão más e tu não estavas cá, e eu precisava tanto do teu colo.
Perdi-te, e na hora da despedida , pediram-me para dizer alguma coisa… dizer o quê? que não escolhemos os nossos pais, mas se pudéssemos, era a ti que eu tinha escolhido.
Não te disse adeus e há quem diga que o devia ter feito, mas adeus é para quem morre, e tu Pai estás bem vivo no meu peito.
14.03.2009
10h35, saio da gare de camionagem na Batalha, paro… e um sol lindo acompanhado por uma aragem fresca abate-se sobre mim, como que a dizer.. bem vinda a casa.
As lágrimas rasam-me os olhos… que saudade… nem eu, tinha noção do seu tamanho.
E fui andando, olhando tudo como se fosse a primeira vez …. Pessoas que passam, fixam-me como se perguntando, chora e sorri!!!???
Fui ao Majestic, tomar café contigo pai… e houve um momento em que senti que, se esticasse o braço te tocava.
Da emoção não falo, porque não sei descrevê-la por palavras.
Saí e deambulei por aquelas ruas, está tão diferente pai, nem parece a nossa cidade… falta-lhe o teu e o meu riso, que dizem ser tão iguais, falta a mão que me dava segurança e me fazia sentir dona do mundo. Caminho e apenas sorrio, porque saudade não ri, somente sorri por entre lágrimas…
Até breve… eu vou voltar mais vezes


*****
2009.02.25
nn(in)metamorphosis


Se saudade matasse…





 

Acho que hoje não estou bem
Tem algo que me aperta o peito
E aquela alegria superficial se vai devagarinho
Como as nuvens no céu
Eu poderia quebrar o espaço de tempo
Que há entre eu e tu
Mas já não acredito em magia


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Sinto que hoje não é o meu dia
Sinto que estes anos não foram bons dias
Acho que se eu pulasse
Com todas as minhas forças
Eu poderia chegar até ti, num só segundo
E um piscar de olhos seria lento demais
Para acompanhar as batidas do meu peito
Ao voltar a ver-te


ah!... mas se saudade matasse...
o meu mundo desabaria por falta de ti


Porque, se saudade matasse…
África… eu já teria morrido


***
2008-11-12 - Se saudade matasse...
nn (in) metamorphosis



11/10/2009

Mais uma noite…





Mais uma noite, de olhar fixo no pensamento
Viajo ao imaginário
Perco-me no tempo e nas memória
Ouço os passos que não dei

Desperto com o estalar do fogo
fogo que só tu sabes atear
E esse calor, invade o meu corpo
E aumenta em mim
uma chama difícil de conter ou dominar


***
2009-07-12 - Mais uma noite
nn(in)metamorphosis



09/10/2009

Interrompe-se a solidão




Interrompe-se a solidão...

Quando em ti, encontro o meu espaço num abraço
No teu sorriso um abrigo

Quando tempo e espaço deixam de ter sentido
E em ti encontro um amigo

Interrompe-se a solidão

Se meu corpo encontra o teu
e no teu beijo me deparo com o meu desejo

Se no teu fogo fico sem fôlego
e o teu carinho espelha o meu


***
2009-09-30 - Interrompe-se a solidão
nn(in)metamorphosis



07/10/2009

Ausência de mim




Ausência de mim…

Hoje, se pudesse… caminharia na praia
e ao som do marulhar tentaria me encontrar

Ai…esta ausência de mim

Hoje, se pudesse… olharia o horizonte
e o sol eu veria no outro lado do mar
aqui, o céu está cinzento
e tal como eu
o sol esqueceu de se levantar

Ai… esta ausência de mim

Hoje, se pudesse… deixaria as minhas pegadas
na areia branca, da praia sem fim
olharia o infinito cinzento… triste
como as minhas lembranças nesta ausência de mim


***
2009-09-11 - Ausência de mim
nn(in)metamorphosis



06/10/2009

Não sei


Não sei… dos outros nada sei.
Há muito que só falo por mim, e mesmo assim, tantas vezes de modo contraditório.
Perdida numa procura constante de me conhecer
 
Virgiana de signo, se é que isso quer dizer alguma coisa.
Realista, de pés no chão, pragmática… mas há horas em que a cabeça foge
vai para um mundo irreal, feito à medida
onde permaneço noite adentro, escondida
como se fosse a minha casa na árvore
 
Não tenho facilidade em dizer, em voz alta, o que sinto.
E de tanto querer explicar… acabo por complicar.
Também não sei se sei escrever, deixo apenas que pensamentos, sonhos, anseios, medos e vontades
se tornem palavra
para eu mesma ler
e, talvez, me entender
 
Há dias em que me sinto presa
acorrentada a um mundo que não entendo
nem me entende
 
Há outros em que me apetece ganhar asas
ter coragem de voar
 
E há ainda aqueles em que me aninho
nesse doce verbo: amar
 
Mas existem também dias de vazio
um vazio que não é falta de coisas
é falta de toque
de um sorriso
de um olhar
 
Um amigo deixou-me uma frase:
 
“Escrever muito, dizem, é sinal de angústia
e de debilidade em viver.
Ou será uma forma de evitar paixões,
ou de as saciar?”
 
E eu penso… talvez seja tudo isso junto
ou talvez não seja debilidade nenhuma
 
Talvez seja apenas isto:
 
alguém que sente fundo
que vive intensamente por dentro
e que escreve
não para fugir da vida
mas para a conseguir tocar
sem se perder nela



***
2009-09-01 - Não sei
nn(in)metamorphosis



05/10/2009

Por vezes…



Por vezes, sinto-me perdida nestas encruzilhadas que a vida me propõe.
Por vezes sigo o caminho errado, para perceber se ainda me é dada a oportunidade de encontrar o certo.
 
Nestas caminhadas aprendi que há coisas que simplesmente não estão destinadas a acontecer, enquanto outras são inevitáveis, independentemente da vontade de as querer evitar.
 
Se a vida me magoa, caminho à chuva e deixo que as minhas lágrimas se misturem, ou sento-me ao sol e deixo que ele as evapore.
 
De um jeito ou de outro, levanto-me e sigo em frente, mesmo que, por vezes, leve apenas uma pequenina e ténue esperança de que, no meio de caminhos certos e errados, chegue ao fim de pé, sendo sempre eu.
 
Esta sou eu, com certezas, sonhos e contradições.
Estas são as minhas palavras, umas vezes entendidas, outras deturpadas, mas sempre minhas.


***
2009-08-25 - Por vezes
nn(in)metamorphosis



Soubera eu escrever



Soubera eu escrever
e dir-te-ia do instante
em que a tua mão no meu rosto
faz o mundo calar
 
Soubera eu escrever
e bastavam-me poucas palavras
para contar
como em cada toque teu
o meu corpo renasce
rio desmedido
corrente que me chama
e me quer inteira
 
Ah, soubera eu escrever
e confiar-te-ia os meus desejos
feitos de abraços demorados
de beijos sem fim
de todas as carícias por inventar
 
Mas não sei
 
E por isso guardo em silêncio
os suspiros que te pertencem
os pensamentos onde te repito
a vontade funda de te ter
 
Soubera eu escrever…
e dir-te-ia tudo
ou talvez
menos do que este sentir já diz


***
2009-08-23 - Soubera eu escrever
nn(in)metamorphosis


04/10/2009





Descobri em mim...




Descobri em mim
um ser em constante descoberta de si

 Construo a minha identidade
nos trilhos da vida
e nas linhas dos meus escritos

 Neles encontro o meu sul e o meu norte
a direção que me orienta por dentro

 Descobri em mim outro lado
um lado lunar
feito de silêncio e de sombra
que também me habita

 

 

***

2009-10-04 - Descobri em mim... 
nn(in)metamorphosis


03/10/2009

Para mim


Alguem d´outras páginas,
tão virtuais quanto estas
que me prendeu pela escrita
que eu aprendi a estimar
que não a conhecendo real
lhe nutro real amizade
fez-me saber
desta maneira
que a reciproca é verdadeira

-----

Para ti
Com todo carinho que eu possa ter,
por tudo de bom que tu representas para mim,
pelos nossos risos,
pela nossa amizade,
por eu te gostar tanto...
Estas flores são para não esqueceres
de uma pessoa que nunca
se esquece de ti,
mesmo longe,
mesmo que não te fale sempre,
mesmo sem te conhecer o bastante.
Que estas flores,
possam traduzir o meu carinho
e a minha admiração por ti!
Adoro-te  noname

2009.05.02
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Pelos serões de brincadeira
sem rumo… de maluqueira
também de sério falar
quantas vezes lagrimita no olhar
minha querida amiga
vamos continuar...

Porque é urgente "palavra"
porque é urgente "brincar"
falar a verdade,
sem medo e pensar...
que a idade avança
mas há sempre lugar...
p'ra soltar a criança,
p'ra rir e saltar

Obrigada a TU por seres Mi(a)miga


Ontem bateram-me à porta



 Ontem, bateram-me à porta

 — Quem é? — perguntei…

 — Sou eu!

 Vinha numa redoma branca, com nuances azuis e douradas, e um laço bem apertado. Olhei-a, amedrontada… Enchi-me de coragem e, com algum esforço, puxei-me por uma ponta, estiquei-me pela outra e, de repente, fiquei ali… parada em frente a mim… desembrulhada!

 Os meus olhos, abertos de espanto, renderam-se expectantes por um tempo indeterminado, até darmos connosco a chorar e a rir de emoção, por nos lembrarmos de nós, mas principalmente por nos reconhecermos.

 Que saudades…! Que saudades!!!

 Ontem, bateram-me à porta que abri. Era eu…inha numa redoma branca, com nuances azuis e douradas, e um laço bem apertado. Olhei-a, amedrontada… Enchi-me de coragem e, com algum esforço, puxei-me por uma ponta, estiquei-me pela outra e, de repente, fiquei ali… parada em frente a mim… desembrulhada!

 Os meus olhos, abertos de espanto, renderam-se expectantes por um tempo indeterminado, até darmos connosco a chorar e a rir de emoção, por nos lembrarmos de nós, mas principalmente por nos reconhecermos.

 Que saudades…! Que saudades!!!

 Ontem, bateram-me à porta que abri. Era eu…


***
2009-04-06 - Ontem bateram-me à porta
nn(in)metamorphosis


02/10/2009

Projectos vs Vida



A vida somos nós e as circunstâncias. Não me venham, pois, dizer que a vida é o que fazemos dela. Se assim fosse, não haveria vidas sofridas.

Imensas coisas acontecem para as quais não contribuímos em nada, mas acontecem na mesma e alteram toda uma vida ou parte dela. Os nossos ideais, os nossos sonhos e até a nossa maneira de pensar podem ser alterados.

Nem sempre isso é mau. Muitas vezes faz-nos crescer como seres humanos. Mas também pode ser castrante, ao ponto de nos esquecermos de nós próprios e passarmos a viver segundo essa mudança — uma mudança que não pedimos, não escolhemos, mas que fica, e à qual temos de arranjar forma de continuar a viver.

Quase ouço as tuas palavras, sim, as tuas, tu que me lês: “claro que não é assim, a vida fazemos e decidimos nós. Se não estou feliz, mudo.”

Também eu já falei assim, de peito feito e dona da verdade — uma verdade da idade em que o mundo parece pequeno demais para a nossa energia.

Mas diz-me: num caso de falta de saúde de alguém que amas, um amor visceral, para o qual não existe divórcio, pediste que isso acontecesse? Não. Mas acontece. E isso vira a tua vida do avesso.

Faz-te sofrer e, lentamente, substitui a vida que tinhas por uma guerra. Uma guerra de muitas lutas, sem escolha.

E sem escolha, não te dás conta de que a vida foi passando por ti. Ficas apenas a sobreviver, à espera de ganhar essa guerra, como se isso justificasse tudo.

Mas… e se a vida decide parar de lutar? Sim, ela pode parar. E deixa-te no meio do caminho, sem chão.

E então dás-te conta de que todas as pequenas vitórias que te seguravam deixam de ter peso.

Se te vês com uma luta que tens de continuar, mas já não tens com quem lutar… perdeste. E não foi por inércia, foi porque a vida assim o fez.

Perguntarás: e depois?

Depois vais ao fundo. Olhas à tua volta e sentes-te só. Se tiveres sorte, um dia vais encontrar-te a falar sozinha, a olhar o espelho e a perguntar: onde estás? O que foi feito de ti?

E, se continuares a ter sorte, vais encontrar força para ir atrás do que ainda pensas poder restar. Talvez ainda possas traçar um novo projeto de vida, onde o futuro se traduza em ser feliz aqui e agora… porque o fim já lá vem.



***
2009-03-04 - Projectos vs Vida
nn(in)metamorphosis