06/09/2016

Postcrossing


Manhã cedo, olha o quebrar da onda, pelo meio da neblina. Tira as sandálias, e dá o primeiro passo no areal. Sente nos pés um friozinho que lhe sobe à espinha, e a arrepia num prazer, enganoso, de liberdade. Inspira, demoradamente, e o cheiro a mar, e a iodo, inebria-a. O mar lava tudo, incluindo a alma e as saudades de outro mar e outras marés que, estão para lá da linha recta que é curva e a que chamam horizonte. Desaparece na densidade da neblina. Os gatos continuam pardos.


***
2016-09-06
nn(in)metamorphosis 


11 comentários:

  1. Os momentos são o que são, tal como a promessa dum bom vinho.
    (Os gatos, ao fim e ao cabo, são animais capazes de surpreender. Ainda bem)

    Uma boa semana :)

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    1. Olha o meu afilhado mailindo quinté (olhos esgazeados e a perguntarem-se, sério?) (risos) - Tens razão, um momento surgido assim meio aos trambolhões mas, parece ter saído menos mau :))

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  3. Há coisas que o mar não consegue lavar Non, mas enquanto isso os gatos continuam pardos, é verdade :)

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    1. Pois é, Gaja Maria, a água não lava tudo mas, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas :))

      Beijoca

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  4. À noite todos os gatos o são...

    :)

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  5. Só acrescentar, se me permite, que os gatos, mesmo os pardos, miam para os céus...
    Belo postal.

    Abraço

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    1. Parece que nada nos diferencia, andamos todos à procura do mesmo...

      Abreijo

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  6. O mar e as marés são as mesmas depois do horizonte...
    O horizonte é apenas um limite à nossa visão!!!
    Beijos Menina Sem Nome!!

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    1. Que faço então? Nado até lá, para ver mais longe?

      Abraço míudo

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