01/11/2015

Ó Tia dá bolinho?


Imagem da net

Já estás preparada, para o bolinho? já compraste as guloseimas? disse-me ela de rompante com um grande sorriso. 
Bolinho? guloseimas? falas do quê? 
Ora! exclamou com cara de quem me achava de Marte. Do dia do bolinho, dos miúdos, e lá me informou do que se travava e do que deveria ter, para lhes dar, (Rebuçados, bolinhos, caramelos, castanhas, nozes, etc) mas se dinheiro, melhor ainda, as crianças gostavam mais.

Na zona do país donde sou proveniente, não era uso as crianças irem, de porta em porta, pedir o bolinho no dia 1 de Novembro. Esta data, por lá, era vivida com algum recato e até tristeza, entre visitas ao cemitério, e o recordar de pessoas queridas, que já não se encontravam entre nós, mas que os mais velhos, nos faziam saber da sua existência,  e do quanto tinham sido importantes, naquela que era agora a nossa vida, ou não. 

A nossa festa, era mesmo o cantar das janeiras. 

Mas, voltando ao bolinho. Só quando vim parar à zona centro, me deparei com esse costume que, diga-se de passagem, tem umas broinhas deliciosas, seguindo receitas várias, não cabendo agora a discussão de quais eu gosto mais. Porém, cabe a discussão, de como é pedido o bolinho, e da forma como é feito que, diga-se de passagem, desde o primeiro evento me chocou. 

E passo a contar o meu primeiro encontro com esta tradição 

Depois de toda a informação, que a colega lá do escritório me tinha dado, passei pelo supermercado e comprei o que achei ser adequado às crianças e ao dia que se festejava, daquela maneira, e lá fui para casa, sem saber muito bem o que esperar. Mas nem foi preciso esperar muito, naquele ano, o 1 de Novembro calhava a um sábado,(tal como este ano) aquele dia em nos deixamos dormir um pouco mais, tão a ver? Pois...

Logo pelas oito da manhã, quiçá mais cedo, grupos de crianças, começaram a tocar à campainha, de forma incessante, (ainda hoje penso que traziam cola nos dedos) ao mesmo tempo, que outros, do grupo, já tinham subido  a escada, qual cavalgada desenfreada, e  davam murros na porta, quase de forma selvática, enquanto aos berros, diziam o que parecia ser uma  ladainha, de forma repetitiva.
"Ó tia dá bolinho, Se não leva no focinho"

Estremunhada, entre, o que raio!!!
Aaaah!!! Isto era o bolinho? 
Bolinho para quem? 
Eu estava a ser acordada mais à Bolada

Logo! ali! Não achei piada nenhuma àquilo, e muito menos à forma como estas crianças se apresentavam, pelo que, decidi nem sequer abrir a porta, porque se o fizesse, o bolinho a dar, seria uma reprimenda, feita de cara feia, pelo pouco respeito, pela propriedade alheia, e pela falta de educação demonstrada. 

Eu sou das que pensam que, educação a gente recebe em casa, e mostra-a nas atitudes para com os demais.

Tradições, até que gosto de algumas, e acho muito bem que se mantenham, mas que venham acompanhadas de respeito e educação, é bom, bonito, e eu gosto.

Nunca mais comprei guloseimas, nem abri nunca a porta, a estes grupinhos selváticos. Não mudaram nada em todos estes anos, acreditam?

Mas continuo a apostar nelas, as crianças, o melhor do mundo, e o espelho de quem as educa eheheheh

E agora uma guloseima, com uma frase também doce
Truz truz, sou eu
trago na saca um bolinho e um beijinho
Tu qué?


*****
2015-11-01
nn(in)metamorphosis


3 comentários:

  1. Moras com certeza aqui para os meus lados, talvez sejamos mesmo vizinhas. É que eram aos bandos de crianças, algumas já bem grandes e até um adulto com um trolley para carregar os bolinhos dos filhos,que me iam partindo a porta a bater e só no pouquinho tempo que estive em casa que foi chegar de bike, tomar banho e sair para almoçar. Eu faço uma pequena ideia o que se passou o resto da manhã :)

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  2. Ella até comprou gomas para os putos... mas ninguém lhe tocou à campainha!

    (Aqui, no sítio para onde Ella veio morar, a ladaínha é: "Bolinhos, bolinhos, em honra de todos os santinhos.")

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    1. Bem mais apropriado, sem dúvida.
      Por aqui os bandos de catraios à solta, parecendo andorinhas, também reduziram, e os que vejo na rua, andam acompanhados por um, ou mais adultos, para sua segurança, creio. Mas a atitude mantém-se. e por isso mesmo, foco os papás, enquanto educadores de homens e mulheres de amanhã.

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