23/03/2014

Cata Ventos




Consigo sentir o cheiro...
E quase sentir o gosto...
Do raro sabor da infância
Há muito tempo perdida
E uma lágrima intrometida
Teima em rolar-me no rosto

 É que hoje olhando em volta
É tudo tão diferente...
Não vejo meninas correndo com cata ventos na mão
Nem meninos aos magotes atirando o seu pião
Ninguém à beira do fogo
Contando victórias pra gente

Parece que foi ontem
Mas passaram tantos anos...
Foram chegando de manso
Sulcando este rosto velho
  Passou a vida num tiro
Fez poeira dos planos

Agora é esperar a morte
Que no peito é já inverno
Quem dera voltar no tempo
Ver nascer a primavera no chilreio das crianças
Nos Cata ventos e piões nos caracóis e nas tranças
Mas…  
só o perfume do jasmim é sagrado e eterno



 *****
2014.03.23 
nn(in)metamorphosis 




1 comentário:

  1. muda a vontade dos homens, amarga-se a passagem dos anos, mas a natureza inabalável ensina que nem a morte é o fim, apenas uma passagem...

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