25/01/2014

Cantigas ao desafio XXV



Azul de corvo, azul



Tarde tardava na noite
Essa ideia peregrina
De sentir a minha noite
Como se ela fosse minha
De tão ansiar que ela fosse
A noite que queria sozinha
Perdi a noção ao tempo
Larguei mão do sentimento
Nessa noite tão tardia
E em desespero de causa
Rasguei a ideia sombria
Perdi-me nas labaredas
Duma prece doentia
De ter uma noite velada
Que fosse uma noite só minha



           2014.01.24  VC
(Cópia integral e autorizada)


         *****

É só minha, não divido

Na noite que é só minha
ninguém pressentirá o encanto antigo
que ambulará no ar como um perfume
e no tremeluz das velas, e nas vestes negras
com que a minha noite se veste,  um silêncio
que só eu, poderei entender
Na noite que é só minha
liberta enfim de todas as mágoas, todos serão surdos
quem sabe , os teus ouvidos, só eles, ouçam
no silêncio da casa, velando...
uma voz serena,  tão clara e tão longínqua
e mesmo sem saber de onde vem, nem porque vem
talvez só tu… a não esqueças.

     *****
     2014.01.25 
nn(in)metamorphosis

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